O bebê era um índio do povo Kaingang. Seu nome era Vitor Pinto. E o Brasil não parou para chorar o
assassinato de uma criança de dois anos. Sua morte sequer virou destaque na imprensa nacional.Eliane Brum, Jornal El País
A reportagem do Jornal El País retrata um dos muitos casos de assassinatos de indígenas no país. E, em busca de levar à população a reflexão sobre os 518 anos de tragédias que a população indígena vem sofrendo, além de questionar sobre a data institucional do dia do índio, a Biblioteca Virtual Consuelo Pondé lança no final do mês de abril, o Dossiê História Indígena.
Com curadoria de Clíssio Santana, diretor da unidade vinculada a Fundação Pedro Calmon/SecultBa, e revisão da historiadora Manuela Nascimento, o Dossiê é composto por pesquisas históricas que vão desde os primeiros anos de colonização até as lutas mais recentes travadas pelos povos indígenas, por demarcação de suas terras e contra o agronegócio.
“O Dossiê vem para questionar toda essa trajetória. É importante falarmos dessa temática e questionar todos esses processos que tem sido impiedosos com a população indígena no nosso país”, destaca Manuela Nascimento.
O Dossiê traz também artigos de historiadores e pesquisadores indígenas do sul da Bahia, a pesquisa de Felipe Milanez, jornalista e professor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), além de propostas para o ensino da História Indígena nas escolas.
“Vemos crianças indo para casa no dia no índio, pintadas e fantasiadas de indígenas. Esses povos são estereotipados e vem passando por um processo de genocídio que não cessou desde 1500. As heranças são extremamente importantes para nossa trajetória de vida e para a construção e constituição do país”, ressalta Manuela.
No Brasil, a luta pela demarcação de terras gera intensos conflitos entre índios e fazendeiros, como o caso de Caarapó, no Mato Grosso do Sul, onde um índio terminou morto. Na Bahia, em 2008 o conflito de terra chegou a parar no Supremo Tribunal Federal.
“A Bahia é um dos locais que tem menos territórios indígenas demarcados. No Brasil, essa luta é uma das mais pulsantes e urgentes que essa população tem, pois é o Direito a terra, é o Direito a vida, que é uma relação diferente e fundamental também para nós não indígenas”, disse a historiadora.
Sistema - As bibliotecas públicas integram o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, gerido pela Fundação Pedro Calmon – Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA). O Sistema é composto por seis bibliotecas públicas estaduais localizadas em Salvador, sendo uma delas a Biblioteca de Extensão com duas unidades móveis, uma no município de Itaparica e uma biblioteca virtual especializada na história da Bahia (Biblioteca Virtual Consuelo Pondé). O Sistema também presta assistência técnica para mais de 450 bibliotecas municipais, comunitárias e pontos de leitura, além de cursos de capacitação para os funcionários destas unidades.
Serviço:
O que: Lançamento do Dossiê História Indígena
Onde: Biblioteca Virtual Consuelo Pondé
Quando: 15 de abril