Público vai à Biblioteca Central para obter resposta da enigmática história do militante político Miranda

11/04/2018
IMG_20180410_172835820
Foto: Rafael Martins / SECOM

“Por que Miranda ajudou Luis Carlos Prestes a acreditar que poderia haver uma revolução comunista e depois se volta contra o Partido?”. Em busca dessa resposta o professor de História, Luciano Silva (36), e muitas outras pessoas estiveram na Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB/Barris), na tarde desta terça-feira (10), para a segunda palestra do projeto Conversando com a sua História: Trajetória dos Comunistas.

Esta edição, que foi ministrada pelo historiador Raimundo Nonato, teve como tema, No rastro de Miranda: questões acerca da biografia de Antônio Maciel Bonfim.

“Miranda ainda é uma espécie de renegado, pois permaneceu essa crença de que ele era agente duplo. Mas, qual é o sentido de você ser um agente duplo e sair da prisão sem um rim, na mais absoluta miséria e com tuberculose?”, questionou o professor.

Nascido no interior da Bahia, na cidade de Irará, conhecida por ter grande número de comunistas, Antonio Maciel Bonfim, cujo codinome é Miranda, teve grande importância para o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Segundo o palestrante, ele pode ser considerado como um dos precursores do movimento de esquerda no Estado.

Em janeiro de 1936 ele foi preso com a sua companheira Elvira Cupello Colônio, cujo codinome era Elza Fernandes. Considerada suspeita de entregar seus companheiros, ela foi assassinada a mando do partido.

“Miranda foi preso, torturado e segurou as informações. Segundo pesquisadores, ele poupou o Comitê Central do PCB de uma grande tragédia, pois se ele revelasse as informações que tinha, todo o Comitê Central cairia”, ressaltou Raimundo.

Durante a conversa com o público pode apreciar retratos de jornais da época, que falavam da relação de Miranda com Moscou, da importância dele para o Partido e também descobrir um novo personagem nessa trama da história brasileira.

“No momento em que Miranda constatou a morte de sua companheira, ele teve alguma colaboração com a polícia, porém as informações básicas os policiais já tinham. Estudos mais recentes têm destacado que o agente duplo era um alemão cujo nome era Franz Gruber, responsável de colocar os explosivos que impediriam que a polícia tivesse acesso aos documentos da Internacional Comunista. O Franz viveu tempo suficiente para contar essa história”, destacou o historiador.

Projeto do Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade vinculada a Fundação Pedro Calmon/ SecultBa, o Conversando com a sua História chega em 2018 na sua 17° edição.

Com o objetivo de divulgar pesquisas recentes sobre a historiografia baiana, neste ano o Projeto terá meses temáticos. Na terça-feira (17), o doutor em Ciências Sociais Gustavo Falcón abordará a temática A dura luta dos comunistas no embate político brasileiro e trará a trajetória do militante político Mario Alves.


CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.

Galeria: