“Aceitamos o honroso título de “INIMIGO PÚBLICO N°1”, que me foi conferido pelo governo gorila, assumo a responsabilidade pelo irrompimento de tais operações e táticas guerrilheiras”.
Da mensagem aos brasileiros, de Carlos Marighella – dez.1968
Um dos personagens mais importantes da história política brasileira, o baiano Carlos Marighella foi o protagonista do último ciclo de palestras do projeto Conversando com a sua História: Trajetória dos Comunistas. Que ocorreu na tarde desta terça-feira (24), na Biblioteca Central do Estado da Bahia.
Esta edição foi ministrada pelo historiador e pesquisador Ricardo Sizilio e teve como tema, Da Baixa dos Sapateiros à Câmara dos Deputados – A trajetória de Carlos Marighella na Bahia.
“Defino Marighella como um herói, corajoso, que se construiu politicamente entre erros e acertos. Tendo uma imagem construída diariamente, até que se torna um líder, um grande personagem de um partido político importante. Detentor de uma coragem impar, abriu mão da sua vida e foi para a luta armada lutar contra um regime ditatorial”, destaca o pesquisador.
Nascido em Salvador, em 5 de dezembro de 1911, Carlos era filho de Maria Rita dos Santos, neta de africanos escravizados e do imigrante italiano Augusto Marighella e era o mais velho de oito irmãos. Estudante, que respondia as provas com versos, participou da ocupação da Faculdade de Medicina e, durante a sua vida se reconhecia como professor. Durante sua trajetória viveu poucos anos na legalidade e foi considerado inimigo n°1 da ditadura militar.
“Considero hoje Marighella o sujeito mais reivindicado pela Esquerda brasileira, porque ele carrega vários símbolos, sendo alguns destes o fato dele ser negro e se identificar como negro, de ser um intelectual e romper com o partido ir para as vias de fato, além do descontentamento com a sociedade”, ressalta Ricardo.
Durante a conversa, o público pode apreciar retratos de jornais e revistas da época, que falavam da relação de Marighella com a polícia, da questão eleitoral e sobre o Partido.
“Vivemos um momento de contra revolução, de contra reforma, antiprogresso e antidemocracia e, esse é o momento propício de mostrarmos figuras como Marighella, apresentarmos outras formas de militância e, sobretudo contestar esse poder dessas elites que dominam o país há muito tempo e de forma sorrateira, forma golpista. Marighella é essa revolução constante e permanente. Revolução que tentamos fazer diariamente”, destacou Ailton Carneiro, Mestre em História Social, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Para o arquiteto Ronaldo Paixão (32), participar das palestras é uma forma de se manter atualizado sobre personagens importantes, que faz parte da nossa história. “Eu acho interessante o papel que Marighella teve, e como ele se posicionou contra a ditadura e foi para conhecer mais dele que vim hoje”, disse Ronaldo.
Projeto do Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade vinculada a Fundação Pedro Calmon/ SecultBa, o Conversando com a sua História chega em 2018 na sua 17° edição, que trouxe no primeiro mês temático a Trajetória dos Comunistas. Em maio, a história das drogas será o centro dos debates.
“Abrimos o Conversando com a Sua História com a Trajetória dos Comunistas. Foram apresentadas quatro pesquisas, quatro visões de um conjunto ainda maior. No mês de maio, vamos discutir a história das drogas. Serão três debates distintos, sobre como diversas drogas foram tratadas durante a história”, destaca Rafael Fontes, diretor do CMB.
CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.