25/05/2018
O Prêmio é uma realização da Diretoria do Livro e da Leitura da Fundação Pedro Calmon/SecultBa, e tem a finalidade de publicar, em livro, dissertações de mestrados e teses de doutorado sobre a história da Bahia. E, para falar sobre o processo de construção do trabalho, a importância da conquista e a temática abordada, Jamille Oliveira, mestre em História Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), conversou com a Assessoria da Fundação Pedro Calmon. FPC - Qual a importância do prêmio? O prêmio tem grande relevância, pois contempla trabalhos inéditos (tese e dissertação) da nossa história. Assim, contribui significativamente para fomentar a pertinência da História da Bahia e valorizar as produções que são feitas em âmbito acadêmico em relação à história do nosso estado, além de contribuir para a consolidação e divulgação da História da Bahia no estado e também fora dele, bem como para a valorização da pesquisa nessa área.
FPC - O que te motivou a participar?
A possibilidade de divulgação da pesquisa realizada em torno de um dos capítulos marcantes da História Indígena na Bahia, que é sobretudo uma história de lutas e resistências, sob um novo olhar. Pois, apesar desse tema já ter sido visitado pela historiografia, a perspectiva de luta dos povos indígenas foi por vezes atenuada, sendo assim, ainda havia uma necessidade de vê-los como protagonistas neste contexto através dos mecanismos da política indígena.
FPC - Da mesma forma que ocorreu a resistência indígena, houve também uma apropriação de práticas indígenas pelos missionários, havendo assim um comércio de praticas?
Sim, havia um “comércio de práticas” entre missionários e indígenas. Os missionários, especialmente usaram essa apropriação como estratégia de missionamento, para que catequese se tornasse mais eficaz, já os indígenas ao se apropriarem dos símbolos, ritos e práticas cristãs visavam, em muitos contextos, construir estratégias de reelaboração e também de enfrentamento, frente à nova realidade que lhes era imposta com a colonização. FPC - O nome santidade intitula a forma de resistência da população indígena perante a dominação da Coroa Portuguesa. De que forma ocorreu esse processo?
Tudo começou por volta de 1580 quando Antônio Tamandaré, um caraíba, que era um líder espiritual, mas que em determinados contextos também agregava liderança política, fugiu de um aldeamento jesuítico em Tinharé, na região de Cairu, para o sertão do Orobó, localizado ao norte da Bahia entre os atuais munícipios de Ipirá, Itaberaba e Serra Preta. Nesse sertão, Antônio começou a propagar sua mensagem contra a catequese e acabou por atrair muitos outros indígenas, que construíram uma comunidade na qual desfrutavam de certa liberdade para prática de cultos, ritos e costumes que invertiam o catolicismo aprendido nos aldeamentos. Era um processo de apropriação, mas sobretudo de contestação, dado o contexto em que estavam inseridos, já que a maioria dos membros da Santidade eram fugitivos de aldeamentos e fazendas de engenhos. Atraído pela possibilidade de ampliar a mão de obra em seu engenho, Fernão Cabral de Ataíde enviou uma expedição comandada pelo mameluco Domingos Fernandes, Tomacaúna, até o sertão e após quatro meses de convivência com os membros da Santidade, conseguiu descer parte da comunidade para as terras do senhor de engenho em Jaguaripe. Estando nas terras de Jaguaripe continuaram praticando seu culto abertamente e atraindo para ali outros índios e negros de Guiné. Profundamente incomodado com essa situação o então governador geral Manuel Teles de Barreto enviou uma expedição armada para destruir a Santidade, mesmo com a contenção do principal grupo que estava em Jaguaripe, a Santidade já tinha se propagado em outros espaços, como Matoim, Sergipe do Conde, Paripe e Cachoeira, e continuou (r)existindo até meados o século XVII. Diretoria - Vinculada à Fundação Pedro Calmon/SecultBA, a Diretoria do Livro e Leitura (DLL) é responsável pela execução e implementação das políticas públicas de fomento ao livro e estímulo à leitura. Está em seus objetivos incentivar a prática da leitura, promovendo eventos do setor, como leituras públicas com autores, oficinas de leitura, seminários, feiras, palestras e conferências sobre obras, autores e tópicos importantes da Literatura. Também compete à DLL a promoção do livro, fomentando a produção editorial, elaborando prêmios literários e editais que proporcionem às editoras o acesso a recursos públicos que permitam às mesmas aumentar e diversificar a produção de livros no Estado, dentre outras ações que integram os objetivos do Plano Estadual do Livro e Leitura (PELL).