Renato da Silveira fala sobre as Memórias de Leitura

25/05/2018
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“Montamos uma Biblioteca com 300 livros, com literatura
subversiva dentro da Galeria F, a galeria dos presos políticos”,

Renatinho da Silveira

Em 31 de março de 1964, o Brasil deu inicio ao período que ficou conhecido como a ditadura militar, que durou 21 anos. Durante esse período, medidas repressivas marcaram a sociedade e muitos foram os presos políticos.  Na Penitenciara Lemos Brito (PLB), na Galeria F, mais especificamente, o antropólogo e escritor Renato da Silveira e dezenas de presos montaram uma biblioteca com mais de 300 volumes, através das obras que suas visitas levavam. Para os policias, um livro não era uma ameaça. “Os policiais nunca se deram conta que no nosso caso a arma era o próprio texto”, destaca Renatinho, que deixou um depoimento marcante no Projeto Memórias de Leitura.  A relação com a leitura começou na infância, com os famosos gibis. Com o hábito de ler as histórias em quadrinhos, Renatinho começou a se deleitar das obras de aventura, Tarzan, piratas e faroestes, e foi assim que escreveu sua primeira história, aos 13 anos. “Aos 13 anos fiz a minha primeira história em quadrinhos, que era uma cópia simplificada da Ilha do Tesouro, uma história que eu tinha. Então, foi assim que começou, e o resto veio espontaneamente. Os hábitos da leitura e da escrita vieram juntos, um sempre estimula o outro”, ressalta o escritor.  Com vários livros publicados, Renato da Silveira revela que gosta de trabalhar com temáticas diversas e fala sobre o sua mais nova produção. “Eu trabalho com temáticas diferentes, já escrevi um livro que foi o resultado de uma pesquisa de 20 anos, que é a historia do candomblé no Brasil, contada no livro O candomblé da Barroquinha. Atualmente estou concluindo um trabalho chamado à Mitologia maldita: os estereótipos políticos e raciais, na gênese da indústria cultural, fruto de uma pesquisa de 30 anos”, relata. Para assistir as marcantes memórias de leitura de Renatinho da Silveira e de outras personalidades, basta acessar as redes sociais da Fundação Pedro Calmon/SecultBa e também durante o intervalo da programação da TVE (Canal 10.1). Clique aqui para assistir os depoimentos.  Diretoria - Vinculada à Fundação Pedro Calmon/SecultBA, a Diretoria do Livro e Leitura (DLL) é responsável pela execução e implementação das políticas públicas de fomento ao livro e estímulo à leitura. Está em seus objetivos incentivar a prática da leitura, promovendo eventos do setor, como leituras públicas com autores, oficinas de leitura, seminários, feiras, palestras e conferências sobre obras, autores e tópicos importantes da Literatura. Também compete à DLL a promoção do livro, fomentando a produção editorial, elaborando prêmios literários e editais que proporcionem às editoras o acesso a recursos públicos que permitam às mesmas aumentar e diversificar a produção de livros no Estado, dentre outras ações que integram os objetivos do Plano Estadual do Livro e Leitura (PELL).
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