Quem imaginaria ser possível o contato com documentos históricos em plataformas digitais? A Revolução Digital, ocorrida entre 1950 e 1970, trouxe premissas de que a humanidade passaria por algumas transformações, como o surgimento da Era da Informação e o advento da internet. Hoje em dia, a FPC/SecultBa uniu o útil ao agradável, gerando bons exemplos que trazem iniciativas de difusão da informação pela internet
Fundada em 2011, a Biblioteca Virtual Consuelo Pondé (BVCP) segue com este propósito. Especializada na História da Bahia, em 2019 a BVCP atingiu quase 600 acessos através das 04 séries especiais disponibilizadas na plataforma; 800 visitantes das mais de 20 exposições virtuais, o que rendeu à biblioteca temática quase 30 mil acessos ao site no ano.
“O objetivo principal da BVCP é tornar acessível o conjunto de obras sobre a História da Bahia, ou obras que são fonte para a História, inovando ao se posicionar como uma biblioteca multimídia, hipertextual e interativa, bem como preservando e promovendo o acesso universal a fontes historiográficas referentes à nossa história”, afirma o coordenador da biblioteca, Clíssio Santana.
Somente na Bahia, em torno de 6 mil internautas exploram os arquivos da Biblioteca Virtual. No Brasil, pouco mais de 10 mil pesquisadores, no ano passado, viram na BVCP a oportunidade de encontrar à distância arquivos que só estariam disponíveis presencialmente, bem como as quase 4 mil pessoas de países como França, Filipinas, Estados Unidos da América e Argentina que tiveram contato com o conteúdo disponibilizado pela unidade.
Arquivo Público Centenário – Existente há quase 130 anos, o Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB) acompanha o avanço. Foram quase 50 mil pessoas que acessaram a plataforma de consulta online dos documentos em custódia. Tais acervos são descritos e organizados de maneira categórica, conforme padrões nacionais e internacionais de descrição arquivística, que busca registrar informações sobre o que contém nos documentos, como imagens, símbolos, carimbos dentre outras características.
Somente neste ano, o Arquivo descreveu quase 8 mil itens documentais, digitalizou mais de 16.000 imagens e disponibilizou o acesso digital a milhares de arquivos de diversos gêneros, como textos, iconografias e cartografias, que datam desde 1549, quando Salvador foi capital político-administrativa do Brasil.
A diretora do APEB, Teresa Matos, destaca a importância do acervo físico e digital que o Arquivo dispõe. Nas palavras de Teresa, “o valor histórico e memorial do acervo custodiado se expressa, em parte, pelo reconhecimento do Comitê Nacional do Brasil Programa Memória do Mundo da Unesco”, os quais confirmam “o valor excepcional e o interesse nacional pelo acervo documental do APEB, que deve ser protegido em benefício da humanidade”.
Já no meado do ano, o Arquivo divulgou uma notícia sobre o lançamento de um conteúdo digital que celebra o Dia Internacional dos Arquivos, o que gerou ao site da FPC mais de 2.000 acessos, a frente da notícia sobre o Curso de Paleografia realizado pelo Centro de Memória da Bahia (CMB), com mais de 1.200 acessos.
De acordo com o coordenador de arquivos privados do CMB, Valdicley Vilas Boas, esse interesse do público pelo acervo do Centro também se reflete nos mais de 4.000 documentos que o CMB disponibilizou por e-mail, a exemplo de correspondências, iconográficos, bilhetes, jornais e cartas escritas pelo ex-governador da Bahia, Otávio Mangabeira, as quais foram trocadas com políticos durante os exílios do também professor e engenheiro baiano.
Além disso, mais de 21 mil arquivos foram digitalizados pelo CMB, a exemplo dos quase mil documentos, como livros raros, jornais, fotografias e bibliotecas pessoais dos jornalistas Jorge Calmon, João Falcão e Berbert de Castro, resultado da parceria com a Associação Baiana de Imprensa (ABI), além dos cerca de 3.900 documentos e partituras do cineasta cachoeirano Manoel Tranquilino Bastos.
Os pesquisadores também tiveram acesso ao acervo do historiador e patrono da Fundação, o baiano Pedro Calmon, que inclui cerca de 20 mil documentos textuais e mais de 2.300 iconográficos; quase 2.200 documentos do político Ernesto Simões Filho, e os mais de 3.600 documentos de Antônio Balbino, que também governou a Bahia.
Dessa forma, para Valdicley, tal iniciativa contribui para a conservação e preservação dos mais de 60 mil documentos a cargo do CMB. “A era digital tem auxiliado na difusão do conhecimento e da informação das melhores formas, pois isso potencializa a difusão do saber de maneira mais instantânea”, reforça o coordenador.