Estudantes veem na literatura um meio para transformar a sociedade

14/02/2020
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Foto: Rafael Martins / SECOM

Mais de 55% da população brasileira é preta ou parda. Na Bahia esse número sobe para mais de 80%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entretanto, o instituto constatou que apenas 40,3% de negros e pardos tinham acesso a educação básica, o que faz com que 9,1% com mais de 15 anos seja analfabeta. Os números ainda mostram que estudantes pretos ou pardos passam por mais experiências violentas do que brancos. 

 

Esse cenário de desigualdade foi um dos temas mais abordados pelos premiados no V Concurso de Poesia e Redação para Escritores Escolares. Os estudantes utilizam a literatura tanto para expressar como se sentem em relação a essa estrutura quanto para denunciar as desigualdades. Para Kuma França, padrinho do concurso, “ver muitos jovens negros lá (na premiação), em espaços que nos são negados a todo tempo foi uma surpresa”.

 

O concurso, promovido pela Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa), por meio da Diretoria do Livro e da Leitura (DLL), tem como objetivo estimular na juventude baiana o hábito da leitura e da escrita. O arte educador lembra que “iniciativas como essa mostram o quanto estamos ricos em arte. Além de mostrar a potência das nossas crianças e adolescentes”. Ele ainda fala sobre a força da literatura, “a partir da arte é possível um novo mundo e com educação e oportunidade, transformamos e validamos vidas”.

 

O que já foi percebido por Lara Pinho (12). A menina, que ficou em primeiro lugar na categoria poesia Ensino Fundamental II com o texto Abayomi, escolheu esse estilo literário porque deixa “a imaginação viajar através das rimas e leva o leitor nessa viagem”. Ela ainda vê na literatura uma porta para “transformar nossas vidas, devido ao conhecimento adquirido nas leituras”, completa.

 

Lara esclarece que as bonecas que protagonizam seu texto possuem uma grande importância simbólica e cultural. “Foi a maneira que as mães escravizadas encontraram para divertir seus filhos”. Ela complementa que falar sobre as brincadeiras tradicionais africanas “é fazer um resgate da origem da sociedade atual e ao mesmo tempo contar um pouco a história da vinda dos negros ao Brasil”.

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