Uma das principais características que de forma inconteste consubstanciam a nossa cultura é a música, e mais especificamente sem aqui querer discutir de quem é a batuta que o criou – é o Samba – que na última segunda-feira (30), perdeu um dos seus mais profícuos criadores – Riachão. Nascido, Clementino Rodrigues (Riachão) em 14 de novembro de 1921, em Salvador, e tendo no bairro do Garcia o seu reduto, suas composições narravam o cotidiano, as vicissitudes do baiano.
De acordo com o próprio Riachão o apelido surgiu quando ainda criança, em que a vivacidade de seu comportamento era assemelhada a de um riacho, porém, sendo ainda mais acentuado, as tias e moradoras vizinhas, deram alcunha de Riachão “– Esse menino é um Riachão!!” exclamavam.
Riachão foi um dos maiores responsáveis pela popularização do Samba na Bahia, tendo suas referências no samba-chula e na capoeira, escreveu e musicou cenas do cotidiano da Bahia contemporânea, com mais de 500 composições produzidas como ele mesmo já registrara.
Uma de suas composições mais conhecidas, "Cada macaco no seu galho” de acordo com a historiografia é fruto de um mal sucedido negócio que teve, que lhe pôs de cabeça quente, e após dias a pensar no ocorrido, escreveu a canção que viria a ficar tão famosa. Riachão também é autor de “Vá morar com o Diabo” e “Retrato da Bahia”.
Uma das grandes homenagens que recebeu durante a sua trajetória expoente no cenário baiano é o Circuito Riachão (2015), circuito de carnaval que vai do final de linha do Garcia, seguindo em direção ao Campo Grande, onde ocorre a Mudança do Garcia, manifestação tradicional do carnaval de Salvador, durante a segunda-feira.
Em agosto de 2019 o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia realizou o Seminário “Eu sou o Samba, em homenagem a Riachão” abordando aspectos do samba, se suas composições e das contribuições desse artista para a o samba da Bahia no período contemporâneo. Nesta oportunidade o Centro de Memória da Bahia registrou em audiovisual, essa que talvez possa ter sido sua participação mais recente, sobre o tema e sua carreira.
Riachão nos deixa, porém seu legado e suas contribuições ficarão impressas em muitas das nossas memórias, no jeito bacana de viver a vida, na forma cortês de lidar com as mulheres, sempre gentil e educado, mas principalmente, de ter permanecido entre nós com a mesma vitalidade e frescor de sua infância, agraciando a todos com sua malandragem tipicamente baiana.
Viva o Samba da Bahia, Viva Riachão!
Walter Silva e Nilo Cerqueira
Centro de Memória da Bahia