A Cultura da Bahia ainda na convalescência da recente perda de um ícone do Samba, Riachão, no último dia 30 de março, é novamente vítima de mais uma perda irreparável, pois faleceu nesta segunda-feira (13) o compositor Moraes Moreira, considerado o primeiro cantor de Trio-Elétrico.
Nascido na cidade de Ituaçu (distante a 510 Km da capital baiana), em 8 de julho de 1947. Antonio Carlos Moraes Pires iniciou sua trajetória musical ainda menino tocando sanfona de doze baixos em festas de São João. Posteriormente, foi para Salvador onde conheceu e passou a aprender violão com Tom Zé, quem também o apresentou a Luiz Galvão.
De pronto, estabeleceu uma relação de parceria e muita produtividade com Galvão, tendo feito conjuntamente 20 músicas em cerca de dois meses, consolidando o núcleo inicial do Os Novos Baianos - grupo musical que revolucionou o cenário da época. Mais do que isso, o grupo marcou com ritmo e muita personalidade, a história e a memória da música baiana, apresentando composições de vanguarda, não apenas pela estética visual e atitude dos integrantes expressas pelo conteúdo poetizado em suas letras.
Além disso, apresentou harmonias com elementos inspirados pela cultura popular em seu vasto espectro das manifestações, delineado na guitarra com o "peso" do Rock N´Roll, distorcido e marcado por riffs pulsantes como nas composições: Preta, Pretinha, Tinindo Trincando, A Menina Dança, etc., e que convidavam à reflexão: Acabou Chorare, Mistério do Planeta, Linguagem do Alunte, e outras. A banda produziu oito álbuns de estúdio, dois Ao-Vivo e oito Compactos.
A histórica do grupo foi motivo de diversas publicações em livro, alguns escritos por seus integrantes como: Novos baianos - A história do grupo que mudou a MPB (2014) e Anos 70 - Novos e Baianos (1997), escritos por Luiz Galvão, Acabou Chorare (2017) de Ana de Oliveira, e A visita de João Gilberto aos Novos Baianos (2019), de Sérgio Rodrigues; e no documentário: Filhos de João - O admirável mundo Novo Baiano (2011), dirigido por Henrique Dantas.
As composições de Moraes Moreira versam sobre distintos aspectos da vida e da sociedade contemporânea, descrevendo modos de vida e comportamento, um cronista do seu tempo. Lançou em carreira solo 29 álbuns, foi um cidadão do mundo, faleceu da cidade do Rio de Janeiro, no dia 13 de abril de 2020, aos 72 anos nos deixando um importante legado.