Jaime Sodré: Mais um dos grandes que se vai

06/08/2020
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Foto: Rafael Martins / SECOM

Professor Jaime Sodré era historiador, músico, artista plástico (formado pela Escola de Belas Artes/Ufba.) poeta, escritor, grande militante do movimento negro e dos direitos humanos. A sua luta foi, sobretudo no combate a intolerância religiosa, Jaime era sacerdote do Terreiro Tanuri Jussara (Xincarangomo – tocador sagrado) e conselheiro do Terreiro do Bogum (oloê).

Doutor em educação e contemporaneidade pela Uneb, Jaime além de um exímio professor, foi um multi-artista e um grande personagem da cena cultural baiana. E, ele acaba de partir para o andar de cima, vitima de um infarto fulminante, logo após o almoço.

Conheci Jaime Sodré, ainda jovem. Ele era baterista de rock “Os Cremes” e eu estudante de Arquitetura. Ficamos amigos a primeira vista, pois também fazia parte da cena cultural da cidade, por meio das Mostras de Som que realizávamos na Universidade. Gostava do seu bom humor, de sua ironia, mas sobretudo de sua sabedoria em explicar as coisas difíceis de modo fácil, particularmente aquelas vinculadas as nossas ancestralidades.

Posteriormente, o reencontrei na luta pela redemocratização do país, na Ala Jovem do MDB, com a qual ele muito contribuiu, chegando, inclusive, a ser candidato a Vereador. Tive a honra de privar da sua amizade e do seu convívio por mais de 40 anos. O último trabalho que fizemos juntos foi a gravação, no Solar do Unhão, do documentário “Brasil: DNA África”, em que ele mais uma vez deu uma aula sobre a importância das religiões de matriz africana na preservação da sanidade coletiva dos descendentes de africanos no Brasil.

Com ele muito aprendi. Com ele muito vivi e com ele muito sorri. Até porque, ele era daqueles que levavam a sério de que "sizudez nunca foi sinônimo de seriedade". Em momentos difíceis da minha vida, contei não apenas com seu ombro amigo, mas também com seus ensinamentos e sua sabedoria para não fazer bobagens. Jaime era verdadeiramente um homem de cultura e para a cultura, da maneira mais plena que possamos imaginar.

Está duro, muito duro mesmo, assistir a tanta gente boa, comprometida com coisas boas e com o bem estar de todos, partir assim. Parece que a dor não tem fim. Tenho convicção de que Jaime Sodré fará falta não apenas aos seus amigos e amigas, mas a cultura e a religiosidade da Bahia.

"Tristeza não tem fim, felicidade sim". Valeu Jaime.

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