Projetos buscam reunir documentos para preservação da história, memória, arquivo e patrimônio

12/03/2021

Com a pandemia, o setor arquivista fortaleceu uma rotina de trabalho entre os pesquisadores e profissionais do setor. A digitalização tornou-se um recurso amplo à prática de possibilidades de difusão das informações em diversos campos de atuação.

Com o objetivo de armazenar de forma adequada importantes registros do povo de Candomblé, Aline Carvalho desenvolveu  um projeto para organizar o acervo do Terreiro Ilê Axé Inginoquê Omorossí. Aline, filha da Casa, localizada no bairro de Castelo Branco, em Salvador, é arquivista e conta que o projeto nasceu da necessidade de destacar "que a documentação é a memória da casa. É a memória do candomblé na Bahia e todo esse legado deve ser preservado para que as gerações futuras conheçam a sua história", destacou.

O projeto “Memórias dos Povos Ancestrais - Preservação do Acervo Documental do Ilê Axé Inginoquê Omorossí” pretende preservar a documentação produzida pela casa desde antes de sua fundação até os dias atuais, organizando e disponibilizando para pesquisa, documentos que hoje encontram-se espalhados em diversos locais do Terreiro. Apaixonada pela profissão, Aline conta que assim que chegou na casa se encantou com a biblioteca, e juntamente com o Babalorixá do Terreiro, Edvaldo Jones, logo imaginou um Memorial onde pudesse reunir documentos e objetos que contassem a trajetória do espaço. 

Segundo a arquivista, são textos sobre os Orixás, vestimentas, comidas, religiões, dentre outros temas dentro e fora do candomblé que reunidos podem se tornar uma importante fonte de consulta ao pesquisador. “A expectativa é que o acervo, que estará disponível online, sirva como fonte de pesquisa, não só para o público externo como também para a comunidade da casa”, garantiu.

Outro projeto que destaca a importância da digitalização é o “Arquivo Manuscrito Centenário”. Proposto por Alan Freitas, o projeto é idealizado pela  Filarmônica União Sanfelixta, localizada em São Félix. E tem como objetivo a limpeza, catalogação e requalificação de armazenamento dos arquivos visando uma melhora no sistema de catalogação e posteriormente a digitalização do acervo. 

Alan, que também é vice-presidente da Filarmônica, destaca que a iniciativa partiu de uma antiga necessidade de conservar peças escritas por maestros como Tranquilino Bastos e Amando Nobre. “Necessitamos ter um melhor acondicionamento e acesso às composições musicais do nosso arquivo, no intuito de explorar estas que fizeram e fazem parte da nossa história como Filarmônica”. Hoje, com 104 anos de existência, a instituição vem atuando na difusão do ensino musical como mecanismo de inclusão social, desenvolvendo projetos culturais ligados à música, como música nos bairros e encontro de filarmônicas.

Além de Alan e Aline, outros 73 proponentes tiveram projetos contemplados no Prêmio Fundação Pedro Calmon, na categoria Arquivo, do Programa Aldir Blanc Bahia da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, que destinou mais de R$ 3 milhões para projetos voltados para a digitalização e/ou restauração de acervos. Ao todo foram alcançados 16 territórios de identidade do estado.

 

Para Teresa Matos, diretora do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), é importante registrar que as propostas foram reconhecidas como iniciativas de boas práticas de preservação, acesso e difusão. “As ações direcionadas ao acesso concentram-se na criação e ampliação de sítios institucionais, o que favorece a presença de instituições culturais na internet. Assim, possibilitando o surgimento de uma rede de arquivos e memória”, afirmou.

 

Os projetos serão disponibilizados gratuitamente. Para mais informações acesse as redes sociais dos projetos: Facebook - Sociedade Filarmônica União Sanfelixta e Instagram - @sociedadefilarmonicauniaosanfelista, e Facebook - Grupo Social Omorossí e Instagram - @omorossi.


Programa Aldir Blanc Bahia – Criado para a efetivação das ações emergenciais de apoio ao setor cultural, o Programa Aldir Blanc Bahia (PABB) visa cumprir os incisos I e III da Lei Aldir Blanc (Lei Federal nº 14.017, de 29 de junho de 2020) e suas regulamentações federal e estadual. As ações são a transferência da renda emergencial para os trabalhadores e trabalhadoras da cultura, e a realização de chamadas públicas e concessão de prêmios. O PABB tem execução pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, geridas por meio da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura e do Centro de Culturas Populares e Idenitárias; e as suas unidades vinculadas: Fundação Cultural do Estado da Bahia, Fundação Pedro Calmon, Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural.

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