Projetos resgatam personalidades femininas da Bahia

06/05/2021

Buscando dar visibilidade a grandes mulheres que ajudaram a construir a história da Bahia, Sofia Sacramento, Mayara Priscila e Aline Pimentel realizaram projetos que resgataram personalidades femininas e retrataram suas atuações em diversos segmentos.

Mayara (29), é historiadora, mestre em história social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e integrante da Rede de Historiadorxs Negrxs. Segundo ela, a sua relação com o projeto começou ainda na graduação, “comecei a pesquisar sobre a vida da médica Maria Odília Teixeira com objetivo de desenvolver o TCC. Essa pesquisa continuou durante o mestrado e atualmente busco trazer ao grande público estes resultados mostrando a história e trajetória dessa ilustre baiana”.

O projeto Maria Odília Teixeira: a primeira médica negra da Faculdade de Medicina da Bahia (1884-1937), visa dar visibilidade à trajetória da primeira médica negra da Bahia. Para Mayara, os resultados obtidos em mais de cinco anos de pesquisa são muito válidos. “A live que fiz sobre o tema já foi vista por mais de 200 pessoas e os cards que foram feitos para contar a vida de Maria Odília foram compartilhados, em diversas redes sociais, por inúmeras pessoas”, garantiu.

Sofia Sacramento (20 anos), assim como Daíse Araújo e Taís Queiroz, faz parte do Coletivo Maria da Glória, composto por estudantes negras do curso de geologia no Instituto de Geociências da UFBA. Ela destaca que o projeto é uma forma que encontraram de preservar a memória da professora, uma das primeiras mulheres negras a fazer parte do quadro de docentes do Instituto. 

A estudante conta que quando conheceram a história da professora, sabiam que precisavam fazer com que o legado deixado por ela fosse disseminado e sua obra não fosse esquecida. “Como mulheres negras, nós encontramos em Maria da Glória representatividade. Percebemos o quanto ela e seu legado foram invisibilizados, e fazer um mapeamento de informações se tornou necessário para minar as armadilhas do racismo estrutural que ocultou essa personalidade do meio científico”, concluiu.

O projeto, intitulado “A importância da preservação do legado da Dra. Professora Maria da Glória para o entendimento da geologia da Bahia e como símbolo de representatividade para os estudantes negros nas geociências”, tem como objetivo mapear informações, bibliografias, iconografias e periódicos produzidos pela professora como um instrumento de manutenção da sua memória enquanto mulher negra e doutora em geologia. 

Aline Pimentel (24), é formada em história e pesquisadora, atualmente tem aprofundado seus estudos a respeito da agência das mulheres e dos processos de apagamento, silenciamento e esquecimento das mesmas na história. Aline conta que o interesse pelo tema surgiu durante o estágio que prestou no Centro de Memória da Bahia (CMB), “tive contato com o depoimento de Iracy para o projeto “Memórias Reveladas das Lutas Políticas na Bahia” e acabei me deparando com uma fonte histórica muito rica, que me despertou grande curiosidade”.

O projeto “Pelas veredas da memória: trajetória política e resistência de Iracy Silva Picanço (1959-1966)” se destina a investigar e remontar fragmentos da história e trajetória política , resgatando e a memória de uma mulher baiana, professora, militante, que lutou bravamente  pela transformação da sociedade na qual viveu.

Aline ressalta que a memória das mulheres na história é ainda muito incipiente. “Resgatar a memória, a história e a identidade dessas mulheres se torna um ofício que vai além da reconstrução de um panorama político”, destacou. E completa afirmando que os projetos apresentados buscam devolver às mulheres o seu verdadeiro lugar na história.

Além destas três, outras 104 propostas foram contempladas na Categoria Memória, do Prêmio Fundação Pedro Calmon, do Programa Aldir Blanc Bahia da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, proporcionando a pesquisadores (as) baianos (as) o objetivo de preservar, resgatar e reconhecer a história e memória do estado e de personagens em suas diversas contribuições culturais.

Para Walter Silva, diretor do CMB, Maria Odília Teixeira, Maria da Glória e Iracy Picanço foram mulheres representativas e de relevantes contribuições para o reconhecimento e inserção da mulher, sobretudo negra, na Medicina, Geologia e na luta contra a ditadura de 1964 na Bahia e no Brasil. Segundo ele, "entendermos as trajetórias contextualizadas dessas personalidades no transcurso de suas biografias, contribuindo para a preservação de suas histórias e realizações, seja acadêmica, social e/ou política, é papel de uma sociedade que se pretende democrática e cidadã”.

Programa Aldir Blanc Bahia – Criado para a efetivação das ações emergenciais de apoio ao setor cultural, o Programa Aldir Blanc Bahia (PABB) visa cumprir os incisos I e III da Lei Aldir Blanc (Lei Federal nº 14.017, de 29 de junho de 2020) e suas regulamentações federal e estadual. As ações são a transferência da renda emergencial para os trabalhadores e trabalhadoras da cultura, e a realização de chamadas públicas e concessão de prêmios. O PABB tem execução pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, geridas por meio da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura e do Centro de Culturas Populares e Idenitárias; e as suas unidades vinculadas: Fundação Cultural do Estado da Bahia, Fundação Pedro Calmon, Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural.

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