Faleceu na tarde desta quarta-feira (27), em decorrência de complicações da covid-19, o maestro e compositor, Letieres Leite (61). Natural de Salvador, Letieres era músico, educador, compositor, arranjador, instrumentista e estava à frente do Instituto Rumpilezz, mesmo nome da orquestra que criou em 2006, no Teatro da Gamboa. A Fundação Pedro Calmon (FPC/SEcultBA) lamenta com pesar o falecimento deste importante personagem da memória musical e criativa da cultura baiana.
Para Zulu Araújo, diretor geral da Fundação Pedro Calmon, Leitieres "não foi apenas um grande músico baiano e uma figura talentosa reconhecida nacional e internacionalmente pelo trabalho que fazia. Ele era daqueles que tinha de algo especial, a preservação da memória e da música afrobaiana". Letieres ficou conhecido em todo mundo pelo trabalho realizado na gestão da Orkestra Rumpilezz, onde também foi responsável pela concepção dos figurinos, ambientação, assim como, arranjos de sopro e percussão e as respectivas composições.
Sua atuação profissional vai além: escreveu arranjos para a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, morou na Áustria, apresentou-se em festivais, foi professor na Faculdade de Música. Também fundou a AMBAH - Academia de Música da Bahia, escola especializada no ensino da música popular com enfoque na música da Bahia. Ainda de acordo com o diretor geral da FPC, "ele tirou a percussão da Bahia da cozinha e colocou na sala de visitas e fez isso baseado na memória ancestral existente na Bahia sobre a importância dos nossos tambores sagrados. Ele falava, escrevia e cantava pela música", lamentou Zulu.
Letieres participaria do 20º Prêmio BDMG Instrumental no CCBB de Belo Horizonte, que começaria hoje. O show dele estava marcado para 10 de novembro, ao lado do baixista Pedro Gomes e para além deste evento, os toques percussivos baianos também seguiram lamentando e inspirados por esta perda.