Fundação Pedro Calmon celebra Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

02/02/2022

Em homenagem à Iyalorixá Mãe Gilda, que foi vítima de intolerância religiosa em 1999,  o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é celebrado no dia 21 de janeiro. A data celebra o respeito, tolerância e diálogo entre as religiões, além de combater a discriminação, como também dar visibilidade à luta pelo respeito as religiões de matrizes africanas.

Em 1976, o governador do estado, Roberto Santos, por meio do decreto 25.095 de 15 de janeiro de 1976, garantiu a liberdade de culto das religiões afro-brasileiras na Bahia. Em abril de 2017, a Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa), por meio do Centro de Memória da Bahia (CMB), recebeu a doação do acervo pessoal de Roberto Santos. Ao todo foram mais de 5 mil imagens, correspondências, relatórios, termos, projetos, documentos textuais, acervo particular e pastas com documentos de governo. Destaque para um cartão encaminhado ao ex-governador agradecendo pelo feito assinado por Mãe Menininha do Gantois. 

Já o Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), outra unidade ligada à FPC, custodia fontes documentais que registram a luta de resistência dos Candomblés da Bahia e a repressão policial contra estes espaços. No acervo da Delegacia Especializada - Jogos e Costumes (1938-1989), o (a) pesquisador(a) pode conferir a força simbólica nas ocorrências e queixas policiais de “batidas” em “Candomblé de Atabaque”.

Outros documentos que comprovam a perseguição sofrida pela população adepta do candomblé são as escrituras, inventários, testamentos, processos cíveis e crimes que compõem o fundo do Tribunal de Justiça da Bahia de personagens singulares do Candomblé da Bahia, como Júlia Maria da Pureza, Sabina Lúcia dos Santos e Manuel Rufino Souza.

Já a Biblioteca Virtual Consuelo Pondé (BVCP) da FPC tratou sobre o surgimento do candomblé na Bahia em um dos episódios do podcast Boca de Afofô. A historiadora Lisa Castilho conta sobre a diversidade contida no culto às entidades de matriz africana e os indícios das primeiras casas de culto aos Orixás ao longo do século XIX na Bahia. A BVCP oferece também uma série de artigos e exposições que falam sobre a religião e a religiosidade de matriz africana na Bahia.

Para o diretor geral da FPC, Zulu Araújo, combater a intolerância religiosa é “bater de frente com as expressões autoritárias, conservadoras e do atraso”. Ainda segundo ele, a FPC vem, através de suas diretorias, “fortalecer o papel de celebrar a cidadania e o respeito as difrenças”. 

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