As atividades concentradas na praça Ubaldino Assis ganharam atenção de escolares, no segundo dia de programação da Flica, além de mesa de discussão na Fundação Hansen
O segundo dia de atividades da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa), na 10ª edição da Festa Literária de Cachoeira (Flica), teve ação para o público infantil e a participação do público na campanha Leia e Passe Adiante, além de mesa de discussão sobre autoria negra nas academias de letras.
Agitando a criançada, a Biblioteca de Extensão (Bibex) ganhou atenção dos escolares que estiveram na festa. “A mediação da Bibex traz um olhar lúdico do livro e da leitura. Nos empenhamos em trazer contadores tanto da capital, como do próprio município e de cidades circunvizinhas com objetivo de aproximar nossa atuação ao público”, detalhou Tamires Conceição, à frente da Diretoria de Bibliotecas Públicas do Estado da Bahia (DIBIP).
Ao longo do dia, diversos artistas levaram ao coreto suas apresentações, nesta manhã, a artista Carol Adesewa apresentou a história de Malik, uma criança de 7 anos que aprende a plantar com seu avô e decide compartilhar com seus amigos. “A história traz uma perspectiva de reconhecimento identitário dessas crianças, elemento fundamental em seu autoconhecimento”, disse a contadora. Além dela, Osmar Tostoí apresentou o “Cordel da Bicharada”.
O jogo de perguntas e respostas desenvolvido pela Diretoria do Livro e da Leitura (DLL), empolgou os mais jovens ao longo do dia. Na mediação, o público responde questões sobre literatura e ao acertar tem acesso a prateleira de livros para levar uma das obras.
Antônia Estrela, estudante do Colégio Estadual Professor Carlos Valadares, do município de Santa Bárbara contou gostou da inovação da campanha. “Eu já estava esperando essa atividade, porque da última vez que eu vim, eu peguei um livro, li e repassei na escola. Eu adorei que agora o quis deixou a ação mais dinâmica”, enfatizou a estudante que já sabe para quem vai repassar o livro.
Autoria negra
Na tarde, a poeta Rita Santana mediou o encontro sobre A Autoria Negra nas Academias de Letra, fazendo uma reflexão sobre a participação de Machado de Assis na construção da Academia Brasileira de Letras e o embranquecimento que tornou o espaço restrito para pessoas negras.
Ordep Serra, presidente da Academia de Letras da Bahia, presente na mesma, marcou como a presença de Mãe Stella na Academia de Letras da Bahia promoveu um novo olhar para a autoria negra. “A entrada de Mãe Stella na Academia de Letras entusiasmou a população negra a escrita. Nosso empenho é dar continuidade na derrubada do racismo”, declarou.
“Hoje com minha presença eu posso ser um veículo para pensar como tem sido continuado pelo racismo estrutural”, analisou Wesley Correia, membro fundador da Academia de Letras de Cruz das Almas, que possui 15 membros, e é composta por dois negros. A mesa se encerrou com um encorajamento para os jovens que assistiram o encontro.