Abertura da exposição Notícias de Òrun atraí público pela delicadeza e consistência das obras

10/11/2022
FPC NA FLICA
Foto: Ascom/FPC

As obras feitas em papéis de jornais trazem traz um olhar sensível para a história dos orixás e dos santos, e fica aberta ao público das 9h às 17h, até o dia 30 deste mês

Jornais podem permanecer intactos na natureza por décadas degradando o meio ambiente. Nas mãos do artista plástico Samuel Cruz, estes descartes são transformados em belas representações de orixás e santos. Em sua primeira exposição aberta na última noite (9), na Biblioteca Central do Estado da Bahia (BPEB), às Notícias do Òrun atraíram o público pela delicadeza e consistência das obras.

Durante a vernissage, o Diretor Geral da Fundação Pedro Calmon Zulu Araújo agradeceu ao diálogo com as obras do artista e ressaltou a relevância delas no equipamento. “Esse encontro nos deixa muitíssimo felizes, por ser uma exposição sonhada por uma comunidade que hoje está realizada, e ficará à disposição para que outras pessoas circulem pelo espaço e que agreguem valores ao pensar e a produção de conhecimento ”, declarou.

Samuel contou como seu trabalho objetiva combater o racismo de viés religioso. “As obras trazem um olhar sensível para as religiões de matriz africana, dessa forma, busco quebrar com o preconceito que muitas vezes é motivado pelo desconhecimento deste universo”, enfatizou. O artista descobriu o talento depois de ter sofrido um acidente de trânsito que paralisou sua mão direita.

Como recomendação fisioterapêutica, ele começou a realizar trabalhos manuais descobrindo o talento. Seu trabalho também traz forte preocupação com o meio ambiente e com a valorização da cultura negra. “Trago a exposição Notícias do Òrun, dos papéis que poderiam estar degradando a natureza para se tornarem representatividades africanas”, disse o artista.

 

Exposição

De acordo com Tamires Conceição, diretora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP), a exposição, que ficará no foyer da unidade até o dia 30, das 9h às 17h, marca uma retomada das ações num contexto com maior flexibilidade da pandemia.

“Estamos agradecidas com essa troca entre nossa biblioteca e a comunidade. Neste momento, trazemos os aspectos lúdicos como mediação ao livro, a leitura e escrita por meio de artes como as de Samuel”, afirmou.

Presente na abertura, Dhay Borges, líder do Coletivo Resistência Negra comentou da importância do trabalho do artista. “Nosso coletivo atua dentro das periferias entusiasmando potências negras”, pontuou.

“Samuel é um destes exemplos, em seu trabalho ele traz  as  histórias que guiam nossas comunidades. Nesta noite celebramos a noite de um irmão, uma noite que é nossa, é da Bahia, neste mês em que celebramos nossa alegria”, rematou Dhay.

Galeria: