29/01/2023
Estratégia visa adequar a língua em respeito as existências de pessoas transgêneras e travestis
Instituído após uma manifestação de ativistas no Congresso Nacional, no dia 29 de janeiro de 2004, o Dia Nacional da Visibilidade Trans celebra a diversidade e a importância de pautas em defesa dos direitos e combate ao preconceito.Além de promover uma reflexão acerca de temas sensíveis, a data também envolve questões ligadas à importância e incentivo de iniciativas mais inclusivas ao público LGBTQIA+.
Dentro deste sentido, a linguagem neutra ou linguagem não-binária, surge com um dos vetores de empoderamento e acolhimento, sugerindo uma comunicação menos sexista e mais abrangente.
Utilizada recentemente em cerimônias oficiais do governo federal, o mecanismo de comunicação possibilita uma fuga de narrativas e modos cisheteronormativos, como aponta o Ian Habbib, diretor do Museu Transgênero de História e Arte (Mutha), que atua na preservação e estímulo da produção de dados e pesquisas para o acervo de empregabilidade cultural da população corpo e gênero variante brasileira.
Utilização na prática “Como o próprio nome indica, ela possibilita não só a utilização de mais de duas identidades de gênero, como também a não menção a um gênero específico, por exemplo. É o que ocorre em muitas instâncias da língua inglesa ou outras, por exemplo, em que nem toda frase indica um gênero específico na comunicação”, explica.
Co-coordenador da linha de Estudos Trans, Travestis e Intersexo do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Culturas, Gêneros e Sexualidades (Nucus) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Habib, que é um homem trans, também atua como professor universitário de graduação e pós-graduação na área de Artes Cênicas e conta que a linguagem não-binária faz parte do seu dia a dia.
“Eu utilizo a linguagem não-binária em meu cotidiano, com minha família e pessoas amigas, e também no trabalho. As pessoas aprendem sua utilização desde o primeiro contato”, conta o educador.
“Minha mãe, por exemplo, cria suas próprias maneiras de falar com pessoas trans que utilizam pronomes não binários e frequentam minha casa. São estratégias que não dependem necessariamente de um longo processo de aprendizagem. Qualquer pessoa consegue utilizar, considerando inúmeros aspectos de idade, deficiência, cognição”, pontua.

“A liberdade de expressão é assegurada por lei. Ademais, os movimentos trans apontam que desrespeitar pronomes de pessoas trans é transfobia e há inúmeras decisões judiciais que corroboram com essa perspectiva. Hoje, a transfobia é considerada crime, assim como o racismo, então é natural que haja um movimento de adequação e modificação da língua e de suas normas para respeitar a existência de pessoas trans”.