Retomada da festa de Iemanjá celebra centenário

02/02/2023
Foto: Bahiatursa APEB

Única festividade volta para uma orixá celebra 100 anos e pode ser vista por acervos do Centro de Memória da Bahia e do Arquivo Público do Estado da Bahia

Celebrada no dia 2 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, a Festa de Iemanjá é marca registrada dentro do calendário de festejos do sincretismo afro-brasileiro, sendo a única dedicada a um orixá.

Retornando após dois anos de suspensão, por conta da pandemia de Covid-19, a festa completa 100 anos em 2023. Por meio de registros do Centro de Memória da Bahia (CMB) e do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), que custodiam imagens, como as do fotógrafo Silvio Robatto e acervo da Bahiatursa, a celebração que cativa uma multidão de fiéis e simpatizantes, pode ser vista por pesquisadores e estudiosos.

Integrante da Colônia dos Pescadores, do Rio Vermelho, o pescador Nilo Garrido participa da festa há mais de 50 anos como espectador e integrante ativo.

“Eu participo desta festa há 50 anos. Antes de virar pescador, eu já acompanhava com os barcos da Barra, juntamente com amigos”, conta.

Foto: Bahiatursa APEB

Centenário do cortejo

Em agradecimento às bênçãos concedidas, a tradicional entrega de oferendas como as velas brancas, rosas e champanhe, ditas como mais bem quistas pela Deusa é considerada o ponto máximo da celebração.

Segundo Garrido, a elaboração dos festejos exige cuidados e a colaboração de entidades governamentais.

“A preparação começa nos terreiros, que escolhemos para fazer os presentes, principal, o do dique. Há toda uma organização dentro dos barcos, com o apoio dos órgãos públicos”, explica.

Divindade atribuída à maternidade e a fertilidade, ‘Yeye omo ejá’, do Iorubá ‘mãe dos filhos peixe’ a rainha das águas exerce o domínio sob as embarcações, sendo responsável pelo cuidado e proteção daqueles que navegam, além de prover bonança aos seus fiéis.

Foto: Bahiatursa APEB

Alterações no Brasil

Conhecida por Dona Janaína, Inaê, Iara, princesa de Aiocá e Maria, entre outros nomes, no Brasil, a orixá passou a ser celebrada no dia 2 de fevereiro, em razão do sincretismo religioso com o dia de Nossa Senhora das Candeias.

Patrimônio Cultural de Salvador desde 2020, a festa deste ano ganhará uma novidade. Idealizada pela Colônia de Pescadores e projetada em parceria com o Museu de Cultura Afro-Brasileira (Muncab), uma nova escultura da deusa preta passará a integrar a Colônia de Pescadores Z-01, no bairro do Rio Vermelho.

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