#FPCEntrevista - Vladimir Pinheiro, novo diretor-geral da FPC fala sobre metas e diretrizes para 2023.

09/03/2023

“Com os compromissos que assumimos não nos resta outra forma de atuar, que não seja através de uma construção coletiva, plural, democrática”.

Licenciado em história pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Vladimir Pinheiro, no dia 15 de fevereiro de 2023, tomou posse da Direção Geral da Fundação Pedro Calmon (FPC/Secult/BA). Especialista em Gestão de Políticas Públicas em Raça e Gênero pela UFBA, o novo titular teve presença marcante no movimento estudantil tendo sido Diretor da União dos Estudantes da Bahia (UEB) com a pasta de Memórias do Movimento Estudantil. Nos movimentos de juventude atuou como Secretário-Executivo do Conselho Estadual da Juventude (CEJUVE) e Coordenador Estadual de Políticas de Juventude da Secretaria de Relações Institucionais do Governo do Estado da Bahia, entre 2011 e 2015. Pinheiro tem uma expressiva relação com a Educação, como professor de História na rede privada, na rede Estadual e professor efetivo do município de Salvador, além de ter sido Coordenador do Setorial de Educação do PT-Bahia, atuou na Coordenação da Campanha de Educação do atual Governo do Estado da Bahia.

Qual a sua relação com o Livro e a Leitura, e qual foi sua caminhada profissional até chegar na FPC? Eu sou formado em história pela UFBA e tenho pós-graduação também pela UFBA em gestão de políticas públicas. Minha atuação profissional já começou desde cedo, meu primeiro trabalho, com dezesseis anos foi em uma livraria, Sabor dos Saberes do Professor Olympio Serra, no Pelourinho. Meu contato com o livro e a história foi muito cedo e constante. Sou filho de professores que foram do departamento de Ciência Política da UFBA, Ana Alice Costa e Israel Pinheiro e tive a minha trajetória no movimento social, nos movimentos de juventude, estudantil, além de assumir a direção de Memórias da União dos Estudantes da Bahia (UEB), ainda no período da graduação. Depois assumi a Secretaria Executiva do Conselho Estadual de Juventude, em 2009 e  em 2011, me tornei Coordenador Estadual de Políticas de Juventude, nesta oportunidade fui Diretor de Relações Internacionais do Fórum Nacional de Gestores de Política de Juventude. Na sequência, no início da gestão do Governador Rui Costa, eu tive oportunidade de ser Diretor de Territorialização da Cultura, na Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult/Secult), quando decidi enveredar pelo campo da educação. Então tive experiências na rede privada de ensino, sou professor efetivo da rede municipal de educação, na cidade de Salvador. Tive a oportunidade de participar de programas de intercâmbio, passei um período na Universidade de Coimbra, em Portugal e também realizei um curso sobre a formação da cultura ibérica na Universidade de Alicante na Espanha. No último período, fui eleito Coordenador do Setorial de Educação do Partido dos Trabalhadores, e estava desenvolvendo essa trajetória na Secretaria de Educação quando recebi o convite do Secretário Bruno Monteiro para assumir as ações da FPC. Agradeço a confiança do Secretário e do Governador nessa tarefa que me deixa extremamente lisonjeado. 

Como será a nova gestão e quais são as diretrizes e metas da FPC para os próximos quatro anos? Nosso foco maior é avançar ainda mais no diálogo direto com os diversos setores da sociedade. Reconhecemos que, desde que o campo progressista assume o Governo do Estado na Bahia, nós avançamos muito com a FPC trazendo a representatividade do povo baiano e sua diversidade cultural. A Fundação passou pela gestão do professor Ubiratan Castro, Fátima Fróes e de  Zulu Araújo, o que eleva a nossa expectativa e pretensão de dar continuidade a esse trabalho de democratização e ampliação das ações da FPC, fortalecendo ainda mais o que a gente entende como a representação, a memória e identidade do povo da Bahia. Faremos isto em diálogo com todos os segmentos e setores trazendo novas atrizes e atores como protagonistas desta história que se constrói pela identificação com os mártires e referências da nossa história.

Qual o seu olhar e a proposta de atuação para uma política pública mais próxima da sociedade? Como historiador e professor da educação básica, nossa meta é estreitar ainda mais o diálogo entre a FPC, a Secretaria da Educação Estado da Bahia (SEC) e as redes de municipais de ensino. Nós vamos ter um diálogo direto com a educação e os segmentos sociais para a identificação, reconhecimento e fortalecimento das referências históricas de lutas do nosso povo no estado da Bahia e nos seus territórios de identidade. Então, nós teremos um caminhar contínuos com a Secretaria da Educação (SEC), com as Universidades e os movimentos sociais  para que possamos juntos lograr bons êxitos nesta perspectiva. Temos como desafio a disputa do novo ensino médio, e a Fundação pode ajudar na formulação de um novo currículo para a história da Bahia, garantindo a diversidade que temos no estado e o reconhecimento representado por grandes expoentes de nosso processo histórico que foram negligenciados pela história tradicional.

Quais serão os grandes desafios dessa gestão? Primeiramente, nosso desafio é dar continuidade ao trabalho realizado ao longo de 8 anos, com maestria, por Zulu Araújo e ampliar ainda mais o acesso e a democratização das políticas públicas realizadas pela FPC. Ressalto nosso compromisso de trazer para o centro das nossas ações o registro e o reconhecimento das atrizes, dos atores e dos movimentos de lutas do nosso povo que ainda não tiveram o devido reconhecimento pela nossa história. A FPC cumpre um papel fundamental para nossa sociedade na salvaguarda dos documentos e da memória de nosso povo. Ainda assim, por exemplo, sentimos falta do reconhecimento, do registro e de uma representação mais consolidada dos povos e personalidades indígenas. O política do livro e leitura precisa ser avaliada e atualizada através do Plano Estadual do Livro e Leitura (PELL). Todos sabemos o quanto os livros e a leitura formam cidadãos críticos e sensíveis, e o quanto são imprescindíveis para o desenvolvimento da nossa sociedade. Estaremos acompanhando e fortalecendo esse lindo movimento das Feiras e Festivais Literários que se multiplicam nos Territórios de Identidade do nosso Estado. Queremos debater e aprofundar o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas a partir das novas dinâmicas da contemporaneidade. As nossas bibliotecas estaduais, as bibliotecas municipais e comunitárias terão todo apoio para que continuem com seu papel de transformar vidas e semear sonhos e utopias. Com esses compromissos que assumimos não nos resta outra forma de atuar, que não seja através de uma construção coletiva, plural, democrática e sempre pensando em caminhos que sejam possíveis de serem feitos junto com a educação e os movimentos sociais.

Gostaria de acrescentar alguma informação relevante sobre esse início de trabalho na FPC? Estamos muito entusiasmados. Temos uma equipe boa, com algumas mudanças nas diretorias no intuito de oxigenar e trazer novas perspectivas. É um movimento que vem acontecendo no Governo de Jerônimo Rodrigues de renovação dos quadros da gestão e das agendas das políticas públicas. Foi uma demanda da sociedade no Programa de Governo Participativo e no processo eleitoral. Temos agendas importantes para a FPC como o Bicentenário da Independência da Bahia, que é hoje o nosso principal foco, mas temos outras ações no que tange o acompanhamento da Política Estadual do Livro e da Leitura (PELL) que tanto se amplia no nosso Estado com as feiras e festas literárias. Temos a expectativa de apoiarmos de uma forma mais concreta tais eventos literários. Também de ampliar nossa política estadual de bibliotecas públicas, que a gente vê justamente a possibilidade de não só dialogarmos com os municípios, mas principalmente com as bibliotecas comunitárias. Então, são enormes as expectativas, e temos muita vontade de trabalhar na certeza que vamos trazer uma significativa contribuição, tanto para sociedade baiana quanto para o Governo do Estado.
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