Literatura negra dentro do processo de equidade e democratização da educação

29/03/2023

À frente do Narrativas Negras, Samira Soares tem discutido como promover uma literatura mais democrática

Representatividade e o desejo de alterar cenários. Estes foram os estímulos que motivaram o processo de formação e desenvolvimento educacional da baiana Samira Soares.

Doutoranda em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), a influenciadora digital é uma das lideranças femininas celebradas pela Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), neste mês da mulher.

Atuante pelo coletivo Narrativas Negras (@narrativasnegras), mesmo nome que carrega o seu projeto, Soares promove, entre outras tarefas, a difusão de conhecimentos de maneira virtual, além de debates sobre a literatura e representatividade nas escolas do estado da Bahia.

“Hoje, dentre as minhas atribuições, estão sobretudo esses trabalhos nas redes sociais, porque eu também sou militante do Movimento Negro Unificado (MNU) e, através dele, eu desenvolvo esse trabalho de empoderamento da juventude negra, discussões sobre relações de raça, gênero, sexualidade, combate à LGBTfobia e dentre todas as desigualdades sociais existentes”, explica.

Referência e inspiração para a juventude negra, para a pesquisadora, o seu discurso vai além e visa o empoderamento através da emancipação política e afirmação da identidade negra.

“Tento promover esse processo de discussão sobre as questões sociais para que a juventude negra possa se identificar e perceber que, por mais que a sociedade queira colocar essa juventude à margem dos espaços, elas podem acessar qualquer outro espaço que queiram estar”, descreve.

Mudança de cenário dentro da Literatura

Integrante do grupo de pesquisa Corpos Dissidentes e uma das idealizadoras da festa literária de Lençóis, que terá a sua primeira edição neste ano, para a ativista a escolha pela Literatura se deu por fatores pessoais.

“Percebi como existia um grande leque de obras literárias que são conceituadas, consideradas enquanto cânone, que produzem representações negativas sobre pessoas negras”, pontua.

Se identificando como pesquisadora da literatura negra, e da literatura para mulheres negras, a escritora possui entre os seus trabalhos, uma dissertação sobre a representação das empregadas domésticas na literatura brasileira a partir das leituras de Clarice Lispector, Conceição Evaristo e Preta Rara.

Entendendo o descompasso que se encontra a educação em relação às narrativas que enaltecem a figura negra, segundo a comunicadora, o seu papel é estimular esse pensamento crítico.

“Eu venho discutindo isso, entendendo o quanto a gente precisa valorizar as escritas negras, assim como foi feito nos cadernos negros, para que a gente possa desenvolver ainda mais representatividade e empoderamento, para que as pessoas consigam ver nos personagens representações positivas de pessoas negras, que é algo que a gente percebe que ainda está muito defasado”, afirma.

Questionada sobre quais alternativas podem ser adotadas para mudar o panorama atual, a autora ressalta a existência de especificidades dentro do povo negro.

“Eu acho que, às vezes, a gente coloca, por exemplo, a população negra em um bojo único, mas dentro da população negra existem várias camadas. Existem mulheres jovens LGBTs, existe perspectiva de geração, existem vários debates, como o debate do genocídio, que atinge sobretudo os homens” fundamenta.

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