História, Religiosidade e Economia são temas de encontro na Biblioteca Central em homenagem aos 44 anos do Olodum

25/04/2023

O encontro reuniu o presidente do Olodum, Marcelo Gentil, e os pesquisadores, Vilson Caetano e Paulo Miguez 

Vibrante em nossos corações, o bloco afro Olodum comemora hoje (25), 44 anos de atuação e importância na economia cultural e na vida de inúmeros jovens impactados pelos projetos sociais da banda percussiva. Em comemoração, um encontro na Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB), reuniu o presidente do Olodum Marcelo Gentil, o antropólogo Vilson Caetano e o reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Paulo Miguez.

Em reverência da importância da banda percussiva para juventude, Caruso Costa, representante da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa) destacou que “O Olodum nos forma enquanto pessoas, não só enquanto ativistas do movimento negro, mas através da cultura, que nos forma de maneira sutil e capacita nossa juventude a seguir aos enfrentamentos”. 

Conhecido internacionalmente, o bloco já visitou cerca de 60 países e recentemente esteve com comitiva no Egito, um dos países que foi tema marcante do grupo no carnaval de Salvador. “Quando chegamos nos países, sempre que as pessoas nos observam elas lembram o Brasil. É uma das simbologias lembradas ao lado de Pelé e da camisa da seleção”, observou o diretor do bloco, Marcelo Gentil. 

Criado em 1979, o grupo passou por remodelações ao longo dos anos o destacando pela sua ação antirracista e de impacto social.“A Escola Rufar dos Tambores é uma oportunidade de capacitar o olhar da juventude para tomar a arte e a cultura como elemento de transformação de suas vidas pessoais e familiares”, exemplificou o diretor.

 Religião e Economia

“O som é meio pelo qual o divino se manifesta”, expôs o antropólogo Vilson Caetano. “O tambor emula o toque do primeiro órgão formado na gestão que é o coração. É este som que retiramos da natureza, confeccionamos nossos instrumentos, e que sai também de nós enquanto palavra falada, cantada e gritada”, refletiu.

Para o antropólogo, que relatou casos que encontrou no Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), para a composição de seu trabalho “Corujebó” quando os instrumentos litúrgicos eram apreendidos, os tambores do Olodum propõe uma ressignificação. “A música do Olodum é libertadora e vai de contra a maré, a partir de uma ortografia musical de origem africana”, enfatizou.

“A festa do ambiente da comunidade para o diálogo com a cultura de massa, essa é a grande transformação que a gente vai assistir no final dos anos 70 até o início dos anos 80”, salientou Paulo Miguez, que é também conselheiro do bloco, destacou a participação das comunidades negras nesse movimento. 

“Os blocos afros estão nos carnaval não apenas foram fundamentais não apenas para transformar uma estética carnavalesca, mas para garantir que a dimensão estética não está dissociada da vida política”, realçou.

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