Roda de conversa em virtude do Dia da África (25 de maio) reúne o cientista social Kleber Rosa e o historiador Juvenal de Carvalho, na Biblioteca Central do Estado da Bahia
À véspera da celebração do Dia da África (25 de maio), o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP), gerido pela Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa), realizou na Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB), um encontro em referência a independência do continente africano. O evento aconteceu na tarde de hoje (24), e contou com a mediação do professor Edmilson de Sena Morais, que dialogou com o cientista social Kleber Rosa e o historiador Juvenal de Carvalho.
“Somos uma cidade oriunda da diáspora negra , por isso esse exercício que nos encontramos para debater o tema presente em todos espaços pedagógicos e da educação. Tem sido nossa luta para incluir os estudos sobre africanidades e raciais nos currículos da educação”, apontou Kleber Rosa, que teceu um histórico sobre a data.
Rosa comentou sobre a fundação da Organização da Unidade Africana (OUA), criada em 25 de maio de 1963, em Abis Abeba, na capital da Etiópia. A OUA tinha por objetivo estimular a independência dos países africanos contra a colonização europeia, além de promover a cooperação mútua entre os países membros. Por decisão da Organização das Nações Unidas (ONU), desde 1972, o dia 25 passou a ser o Dia da África, inicialmente nomeado como o Dia da Libertação de África.
“Assim como o dia 20 de novembro, marca nosso enfrentamento com a ideia colonial que atravessa a experiência da diáspora negra na Bahia, o dia 25 nos lembra os efeitos da colonialidade e nos remete a importância de seguimos alinhando os povos negros na diáspora”, enfatizou Rosa.
Áfricas
“Não conseguimos compreender o que somos hoje, sem entender o que é e o que foi que aconteceu ao continente Africano”, destacou Juvenal de Carvalho, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia,que explorou a complexidade cultural africana.
“Falamos de 54 países, mas são mais de 3,5 mil povos. Por exemplo, em Angola temos mais de 200 povos. Tirando o Egito e a Etiópia, podemos pensar que todo resto é de uma ínfima variada”, descreveu o historiador.
Durante a conversa, Juvenal também salientou de um movimento que iniciou com seus alunos no enfrentamento a uma imagem única do continente. “Eu faço campanha com meus alunos para que possamos abolir o uso da palavra África como singular. Quando usamos “Áfricas” nos referimos a esta pluralidade para que possamos provocar essa multiplicidade que é o continente”, afirmou Juvenal.