Documentos de valor genealógico de povos baianos ganham atenção do Arquivo Público da Bahia, em 7ª Semana Nacional de Arquivos
O Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), gerido pela Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBa), deu início nesta sexta (2), a 7ª Semana Nacional de Arquivos, em consonância ao Conselho Internacional de Arquivos. Com o tema Arquivo Público - Território de Vida, foram a preservação de documentos de valor genealógico para a diversidade da Bahia.
“Este espaço carrega a energia de nossa ancestralidade e detém em seus documentos muitas dessas histórias. Nosso interesse é propor um novo rumo de modo que a sociedade tenha acesso às informações de sua ancestralidade por meio das políticas públicas ”, destacou Caruso Costa, Chefe de Gabinete da FPC.
A proposta entusiasmou os representantes da Casa Civil do Estado da Bahia, Empresa Gráfica da Bahia (EGBA), FamilySearch Internacional, além do Instituto de Ciências da Informação (ICI/UFBA), que estiveram presentes na cerimônia.
“Eu sinto o espírito desta gestão em sintonia com a Familysearch, no que tange a preservar a história e disponibilizar recursos para que toda sociedade conheça o passado de seu povo, localidade e país”, pontuou Mário Silva, gerente de Relações Instituições. “Nosso intuito é digitalizar todo e qualquer documento de valor genealógico do APEB”, afirmou.
Encruzilhadas da vida baiana
Jorge Viera, diretor do APEB, que abriu o evento com a mesa “Uma Encruzilhada entre o passado, presente e futuro" contou, que, observou, ao longo de seus três meses à frente do APEB, uma busca intensa de certidões que objetivavam registrar uma origem europeia. “Fizemos uma análise das procura pela ascendência africana e indígena e descobrimos que não havia”, explicou. “Dessa forma elaboramos uma proposta de “Resgate Ancestral”, anunciou.
“Sabemos que a documentação de nossos povos sofreu uma mudança violenta de registros pela imposição dos nomes português”, descreveu o diretor, que ressaltou a importância das certidões. "Este documento devolve um vínculo ancestral para a população, direitos de posse de terra e patrimônio, e as pessoas negras não têm o direito mínimo de um resgate ancestral”, problematizou.
O projeto que segue em curso de aprimoramento foi esboçado há 10 anos pelo diretor, quando participou de um rastreamento genético e atualmente pretende aliar o projeto com novos recursos. “Esse projeto vai dialogar com o sistema de mapas georreferenciado, que pretende rastrear o território Brasileiro e disponibilizar ao Estado da Bahia, além de agregar aos arquivos de história oral”, salientou.
Barbara Saldanha, coordenadora de Processamento Técnico de Acervo, ressaltou que o fundo documental de entrada e saída de portos tem detido maior atenção da equipe nesta fase de refinamento. “Essa documentação foi diplomada em 2010 como Memória do Mundo, pela UNESCO, e é destas que são solicitadas muitas das certidões", avaliou Saldanha, que explicou ao público como solicitar a documentação.
Programação - A 7ª Semana de Arquivo Públicos segue até quarta (7), com oficinas de Paleografia e rodas de conversas sobre gestão documental, veja mais na programação (Clique Aqui). Para esta ação, a FPC sugere a doação de alimentos para o projeto Bahia Sem Fome, que visa combater a insegurança alimentar no Estado.