Com presença de João José Reis, evento debate a importância da pesquisa para historiadores

08/08/2023
Encontro com historiador
Foto: ASCOM / FPC

O encontro reuniu pesquisadores que tiveram os acervos da Fundação Pedro Calmon como fonte de pesquisa

Na noite da última segunda-feira (7), pesquisadores e estudantes de história estiveram no foyer da Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB) para o evento “O Historiador e sua Pesquisa”, encontro entre profissionais do segmento que tiveram como base de pesquisa acervos documentais da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através da Fundação Pedro Calmon (FPC).

Durante o encontro, o historiador João José Reis, consagrado pelas premiações aos seus trabalhos sobre escravidão no século 19 no Brasil, destacou a produção de sua obra “Ganhadores: A Greve Negra de 1857 na Bahia”. “Se a greve não fosse publicada diariamente no Jornal da Bahia (1 a 7 de julho de 1857), que estão nesta unidade, não saberíamos sobre ela. O que temos nos arquivos são consequências, que não fazem referência a greve. Tendo esses periódicos, foi então que iniciei o expediente do historiador”, narrou.

Na mesa também esteve Urano Andrade, coordenador técnico do projeto Digitalizando Fontes Manuscritas Ameaçadas: Os livros de Notas da Bahia, 1664-1889, que tem financiamento da Biblioteca Britânica. Atualmente o pesquisador tem dedicado tempo na microfilmagem de documentos do setor de periódicos da BCEB. “Pela fragilidade e a perenidade do papel, a microfilmagem é o recurso mais seguro, e eu tenho centrado esse trabalho ”, destacou Urano.

O setor também foi espaço da pesquisa de Juvenal Carvalho, atualmente professor do departamento de História da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A pesquisa de Juvenal se centrou na abordagem da revista “Veja” sobre o processo de Independência de Angola. “Fui fazer a história com o sonho de transformar a nossa realidade, para isso percebi que precisava conhecer mais da experiência do povo preto, e de nossa própria história”, pontuou o professor.

“Ao olhar para esse trabalho o pesquisador precisa se reconhecer”, ressaltou a historiadora Heloísa Helena Monteiro, que seguiu seu doutoramento na área da Educação, tendo contemplado em seus trabalhos com quatro equipamentos culturais do Estado. A professora ainda comentou sobre a importância das fontes de pesquisa. “Hoje temos diversas plataformas para disseminar o conhecimento que é de grande valia, mas me preocupa a origem desses dados, pois eles são cruciais para fundamentar o nosso fazer enquanto historiadores”, afirmou.

O curador Rafael Dantas, que vem lançando um olhar sobre a História e o Patrimônio, contou que localizou imagens dos portos baianos entre 1912 e 1919, por meio das pesquisas no BCEB. “As imagens não são da biblioteca, mas estão presentes nas publicações que eu localizei neste local”, ressaltou Dantas. “Por meio delas, e dos créditos podemos entender as complexidades culturais daquele contexto”, enfatizou.

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