06/08/2024

A exposição oferece uma experiência multissensorial, incluindo ensaios fotográficos, experiências táteis, audiodescrição via QR Codes e legendas em braile, garantindo acessibilidade para todos os visitantes. “Esse projeto se propõe a ser uma experiência multissensorial sobre o direito de existir de alguns corpos a partir de ensaios fotográficos que convidam para essa discussão na sociedade brasileira contemporânea.
Ao percorrer esta exposição, somos desafiados a refletir sobre as violências silenciosas que perpetuamos e a lutar pela liberdade de todos os corpos existirem plenamente”, explica Vini Ribeiro.
A exposição é composta por cinco ensaios fotográficos que abordam temas como o consumo exagerado de produtos de beleza, oembranquecimento de pessoas negras em campanhas publicitárias e o capacitismo. No ensaio “Skincare”, a fisioterapeuta e doula Eduarda Barbosa é retratada coberta de argila, criticando o consumo excessivo de produtos de beleza e a negação do corpo natural. Em “Miss Beleza Branca”, a designer de interiores Ana Carolina dos Anjos utiliza maquiagem para questionar o embranquecimento de pessoas negras em campanhas, desfiles e fotografias.
O poeta e idealizador do Sarau do Gheto, Pareta Calderasch, no ensaio “A Pele-Alvo”, aborda os diferentes significados de “alvo”, que ora faz referência ao objeto ao qual se atiram coisas, ora à sua relação com a cor “branca”. Já em “Além das Linhas”, a terapeuta Flôr Costa denuncia a cultura da magreza e a busca adoecedora de um corpo ideal padronizado. O ensaio final, “Insuficiente”, com a escritora Amanda
Soares, que convive com paralisia cerebral, faz uma denúncia explícita e potente contra o capacitismo enraizado na sociedade.
A exposição itinerante, iniciada em julho, já passou por escolas nos bairros de Brotas e Vila Canária, em Salvador, além da cidade de Lauro de Freitas-BA. A programação inclui ainda visitas a outras cidades da Bahia, como Senhor do Bonfim e Camaçari, levando discussões para o ambiente escolar e cumprindo seu objetivo político-crítico, enfatiza Vini Ribeiro.
“Não poderia existir público mais adequado para fomentar essas discussões sobre a necessidade de existência dos corpos do que os estudantes da escola pública da rede estadual, em sua maioria vítimas das mais diversas violências por conta dos seus corpos. Agora, com a exposição aberta e com acesso livre, alcançaremos os mais diversos públicos, convocando todos e todas à reflexão”, conclui o fotógrafo.
*Divulgação