Organizada pela Biblioteca Central do Estado da Bahia, equipamento da Fundação Pedro Calmon, nos dias 10 e 11 de junho, foi realizado em alusão ao Dia Nacional da Liberdade de Imprensa – encontro com jornalistas que compartilharam suas experiências e debateram sobre “Desafios e oportunidades da imprensa no século 21” e o jornalismo investigativo.
A primeira mesa de conversam reuniu nomes como o presidente da Associação Bahiana de Imprensa, Ernesto Marques, o 1º vice-presidente da ABI, Luis Guilherme Pontes Tavares, e os jornalistas Mariana Alcântara, James Martins e Fernando Conceição para uma conversa sobre múltiplas questões sem respostas fáceis do jornalismo na contemporaneidade, incluindo os limites da liberdade de expressão e as amarras econômicas da imprensa.
Mediadora da mesa, a professora e pesquisadora das inovações no jornalismo Mariana Alcântara abriu a conversa com uma observação sobre o lugar da imprensa nas redes sociais e a dificuldade de sustentar um modelo de negócios de notícias nas grandes plataformas. “A gente compete com fake news, a gente compete com discursos de ódio. E essa disputa pela atenção do público não é justa, porque a lógica dos algorítmos tem outras prioridades. E o serviço que nós produzimos precisa ser remunerado”, pontuou.
Já o presidente Ernesto Marques contextualizou o Dia da Liberdade de Imprensa na história da imprensa brasileira, lembrando os jornalistas que se colocaram em perigo para protestar contra a censura no dia 07/06. “Nesta data em 1977 houve uma mobilização de jornalistas em plena ditadura militar, um manifesto contra a censura que recolheu mais de 3 mil assinaturas. Então, essa data é importante para lembrar de todos os veículos que foram violados pela ditadura militar, dos jornalistas que foram presos, torturados e daqueles, sobretudo, que fizeram a luta de resistência para fazer jornalismo com censor dentro das redações”, relembrou ele.
Já no segundo dia de atividades, os profissionais convidados falaram sobre as dificuldades encontradas na produção do jornalismo investigativo na Bahia. Os jornalistas Alexandre Lyrio, Matheus Caldas e Jean Mendes foram os convidados do debate com mediação do também jornalista Lucas Pereira.
Durante a conversa, os perigos e percalços vividos quase diariamente no jornalismo, sobretudo o investigativo, guiaram as discussões. Também foi destacada a importância da manutenção diária da função primordial do jornalista: reportar.
O dia 7 de junho foi escolhido para ser a data em que se comemora o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa porque nesse mesmo dia, em 1977, três mil jornalistas assinaram um manifesto contra a censura durante a ditadura militar no Brasil, regime em que jornalistas eram perseguidos somente por exercer a função.
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