O município de Érico Cardoso será palco de um evento inédito que promete marcar a história cultural da região: o Festival Literário de Água Quente (FLIAQ). Com o tema “Água Quente: Terra de Riquezas e Encantos”, o FLIAQ nasce com a vocação de ser um espaço privilegiado para a valorização da produção literária regional, promovendo o diálogo entre gerações, fortalecendo a identidade cultural local e estimulando a leitura como instrumento de transformação social e cidadania.
Presente na abertura oficial do FLIAQ, nesta quinta (10), o diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, ressaltou a importância do Bahia Literária.
“No momento em que fomos convidados e convocados pelo governador Jerônimo, eu e o secretário Bruno e a secretária Rowenna, para desenvolver uma ação que expandisse a discussão sobre o livro e literatura na Bahia, focamos nas feiras literárias. As feiras são para além das feiras de livros, elas se transformam em um grande festival. Nessa cidade que tem pouco mais de 11 mil habitantes, está com a praça cheia numa grande celebração, e é isso que o Bahia Literária propõe – revitalizar o campo da cultura, da memória, dos arquivos, através do livro e leitura”.
Em sua primeira edição, o festival abraça uma proposta ousada e multifacetada, reunindo grandes nomes da literatura nacional, lançamentos de autores baianos, atividades educativas, apresentações artísticas, música, artes visuais e oficinas. Tudo isso em uma celebração plural da cultura sertaneja, que convida a sociedade regional a se reconhecer, orgulhar-se de sua história e projetar novas perspectivas de futuro.
A programação conta, por exemplo, com a presença dos consagrados escritores Itamar Vieira Júnior, autor de Torto Arado e vencedor do Prêmio Jabuti, e Emília Nuñez, referência na literatura infantil e também premiada com o Jabuti. Itamar fará a conferência de abertura na noite do dia 10, na Praça da Matriz, e lançará seu novo livro Chupim em sessão especial no dia 11. Já Emília marcará presença em diversas contações de histórias e oficinas no espaço FLIAQUINHA, dedicado às crianças.
Um dos pontos altos do festival será a inauguração do projeto Leitura nas Alturas, uma biblioteca lúdica montada ao lado e em meio às árvores, especialmente pensada para crianças da zona rural, proporcionando experiências de leitura imersivas, com vistas a fomentar o gosto pelos livros desde a infância. Ali acontecerão contações de histórias, atividades de incentivo à leitura e encontros com autores infantis, reforçando o compromisso social do festival.
Além da valorização da literatura infantil, o FLIAQ destacará lançamentos literários de autores baianos e do território, com obras como Pensamentos na Cabaça, de Gildemar Trindade; É Tempo de Poesia, de Elizângela Amaral; Gotas de Sangue a Caminho do Calvário, de Thaís Fiúza; Seja Luz, Espalhe Poesias, de Tatiane Rodrigues; e Poemas do Cotidiano, de Valdeci Batista.
A programação acadêmica e formativa contemplará mesas-redondas e oficinas que discutirão temas como bibliotecas comunitárias, protagonismo estudantil, diversidade racial e quilombola, literatura e infância, mulheres que fazem história, oratória e declamação, produção audiovisual, desenho e pintura, entre outros. O objetivo é envolver professores, estudantes e a comunidade em debates sobre os caminhos da leitura e da escrita como pilares do desenvolvimento.
Os talentos da terra também terão espaço privilegiado no festival. Estudantes das redes pública municipal e estadual apresentarão projetos de literatura desenvolvidos em sala de aula, e haverá o lançamento da coletânea “Água Quente: Terra de Riquezas e Encantos”, reunindo poemas, crônicas, fotografias e pinturas inspiradas nos pontos turísticos e na história do município. Essa obra será integrada ao novo site oficial de turismo de Érico Cardoso, fortalecendo o vínculo entre cultura e promoção turística.
A música terá presença marcante, com destaque para o concerto da Orquestra Sinfônica de Vitória da Conquista, regida pelo maestro João Omar, além de shows de artistas como Deivison Mendonça, Del Feliz e bandas regionais, que irão transitar entre ritmos populares, MPB, forró e outras vertentes, criando uma atmosfera festiva e plural. Haverá ainda apresentações artísticas da Escola Municipal Érico Caires Cardoso e do Grupo Escolar Coronel José de Souza Spínola, bem como espetáculos de teatro, a exemplo do musical “O Auto da Compadecida”, que promete emocionar o público na Praça da Matriz.
No campo das artes visuais, exposições de artistas locais e regionais irão valorizar a memória e a identidade do povo de Água Quente e adjacências. O artista plástico Silvio Jessé apresentará a mostra Memórias e Cotidiano, enquanto Rogério Caires trará Quadro a Quadro: Raízes e Cores. Outras expografias contarão ainda com a participação de Márcio Caires, Larissa Souza e do grupo AVE/EPA, compondo um painel artístico plural e inspirador.
Em sinergia com as festividades da Independência da Bahia, o festival será encerrado com um Desfile Cívico, reunindo fanfarras da região e alunos do Novo Colégio Estadual de Tempo Integral de Água Quente, reafirmando valores de cidadania, identidade local e pertencimento.
A figura central a ser homenageada nesta edição é José Olympio, um dos maiores editores da história do Brasil, natural da comunidade de Cachoeirinha, em Érico Cardoso. Olympio foi responsável por lançar autores do porte de Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Drummond e tantos outros. Seu legado será rememorado em uma palestra ministrada pelo editor baiano Ivan de Almeida, intitulada O livro e seus bastidores: Caminhos da edição e autoria no Brasil, oferecendo ao público uma rara oportunidade de conhecer a história da edição nacional por dentro.
O FLIAQ é fruto do sonho e da iniciativa da estudante Priscila Xavier, graduanda em Letras, e se concretiza por meio da união de esforços entre a Biblioteca Pública de Érico Cardoso e o Colégio Estadual de Tempo Integral de Água Quente, com apoio do Governo do Estado da Bahia, Rádio Educadora FM, TVE Bahia, Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e Prefeitura de Érico Cardoso.
Além de tudo isso, o festival convida o público a participar de ações solidárias, como a campanha Bahia Sem Fome, incentivando a doação de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade, e propõe experiências sensoriais únicas, como a visitação ao Museu Vivo — onde será possível reviver práticas tradicionais em antigos engenhos e casas de farinha, com direito a degustações — e a feira de mudas nativas, promovendo consciência ambiental e resgate de saberes ancestrais.
Por fim, estandes de editoras, livrarias e troca de livros, sessões de cinema no FLIAQCINE, e a presença do tradicional Zé Livrório, com sua Kombi repleta de livros, tornam o FLIAQ uma experiência literária viva, diversa e transformadora, que certamente ficará marcada na memória de toda a comunidade e dos visitantes.