Documentos preservados pelo APEB confirmam que o abolicionista Luiz Gama é filho de Luiza Mahin

08/08/2025

Registro de batismo, um testamento e escrituras de imóveis, documentos preservados pelo Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), unidade da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA), sobre a origem do advogado e abolicionista Luiz Gama serviram como fonte para as pesquisadoras Lisa Earl Castillo, doutora em letras, e a historiadora Wlamyra Albuquerque, professora da Universidade Federal da Bahia e o pesquisador independente, Felipe Peixoto Brito.

O material revela detalhes sobre a infância de Luiz Gama, período sobre o qual havia poucas informações e traz provas documentais da existência de Luiza Mahin, mãe de Gama e referência no feminismo negro no Brasil. 

Segundo os pesquisadores, os registros confirmam o que o próprio Gama deixou registrado sobre sua história em carta para o também abolicionista Lúcio de Mendonça, em 1880. 

Como coloca o Jornal Folha de São Paulo, um documento-chave é o testamento de Maria Rosa de Jesus, de 1837. Solteira e sem filhos, ela instituiu como herdeiro universal Antônio Agostinho, que era filho de seu primo. A herança confirma a carta autobiográfica de Luiz Gama, na qual ele diz que o patrimônio de seu pai veio de uma tia.

O diretor do Arquivo Público do Estado da Bahia, Jorge Vieira, ressalta a importância da descoberta histórica e da pesquisa para a preservação da memória. 

“A documentação comprova de forma irrefutável que Luiz Gama, nosso célebre abolicionista, era filho da escravizada Luiza Mahin. A confirmação resgata a memória de uma figura emblemática do feminismo negro brasileiro e reforça o papel de Gama na luta jurídica contra a escravidão. Agradecemos ao governador Jerônimo pelo apoio contínuo à preservação histórica, ao secretário de Cultura, Bruno Monteiro e do diretor da FPC, Sandro Magalhães por impulsionar projetos ousados como este, que fortalecem a compreensão da herança afro-brasileira e o compromisso com a justiça social. Além de reforçar o papel fundamental do pesquisador associado e independente na difusão do conhecimento cultural”, destacou Vieira.

TESTAMENTO 

Entre os bens listados no testamento estão as escravizadas Ana e Luiza, identificadas como nagôs, grupo étnico da África Ocidental atualmente chamado de iorubá. A testamenteira faz uma menção especial sobre Luiza, afirmando que o filho dela, de nome Luiz Gonzaga Pinto da Gama, "é livre de toda a escravidão como se assim nascesse". Para as autoras, não há dúvida: o menino é Luiz Gama, e a mãe é Luiza Mahin.

O testamento também permitiu que os pesquisadores identificassem o registro de batismo de Luiz Gama na freguesia de Santana, em Salvador, no qual é descrito como "pardo forro com três meses e meio de idade, filho de Luiza, escrava de Maria Rosa de Jesus".

ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA 

O Arquivo Público do Estado da Bahia, criado em 16 de janeiro de 1890, é considerado a segunda mais importante instituição arquivística pública estadual do país, em razão de custodiar um acervo documental de valor inestimável, produzido, recebido e acumulado ao longo de 214 anos, período em que a cidade do Salvador foi sede do Governo-Geral do Estado do Brasil (1549-1763). 

Trata-se de uma instituição centenária que, como os demais arquivos públicos, desde a sua criação, desempenha papel essencial para o estudo da sociedade brasileira e da soberania do Estado. A unidade da Fundação Pedro Calmon, tem por finalidade preservar os documentos de valor histórico e cultural do Estado da Bahia, por meio da gestão de documentos, do recolhimento, do tratamento técnico e da divulgação, com vistas a apoiar a tomada de decisão governamental, o cidadão na comprovação de direitos e a produção do conhecimento científico e cultura.

Galeria: