A literatura negra será o grande destaque da Balada Literária da Bahia 2025, que acontece de 27 a 30 de novembro, em Salvador. Presente há uma década no calendário cultural da capital baiana, o evento este ano homenageia o centenário de nascimento de Mãe Stella de Oxóssi, falecida em 2018, sendo a primeira yalorixá Imortal da Academia de Letras da Bahia, destacou-se pela autoria de obras que abordam diferentes aspectos do Candomblé e o universo simbólico das histórias dos orixás.
A realização da Balada Literária da Bahia 2025 tem o apoio da Fundação Pedro Calmon, unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado, em parceria com o Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia e Borboletas Filmes.
A abertura será na quinta-feira, às 19h, com o Sarau Bem Black, no terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro. Sob a bênção de Mãe Ana de Xangô, a sucessora de Mãe Stela na Casa, o sarau reunirá poetas locais e convidados, e contará com um pocket show do grupo “Duo Korapoema”, formado pelo cantor e compositor Juraci Tavares e pelo músico Rick Carvalho.
De sexta a domingo, a programação da Balada acontece no complexo da Biblioteca Central do Estado da Bahia, com bate-papos, lançamentos de livros, exibição de filmes, rodas de poesia e performances artísticas. Um dos destaques desta edição é o lançamento do filme “Cadernos Negros”, do cineasta Joel Zito Araújo. As manhãs de sexta e sábado serão voltadas para o painel “Odé Kaiodê”, que irá debater os principais livros escritos por Mãe Stella.
O painel reunirá seis estudiosos, que vão se debruçar sobre os livros “Meu tempo é agora”, “E daí aconteceu o encanto”, “Ososi: o caçador de alegrias”, “Owe – Provérbios”, “Epé Laiyê” e “Opinião - artigos d´A Tarde”. No primeiro dia, participam o sociólogo Fábio Lima, a historiadora Tomázia Santana e a pedagoga Iraildes Nascimento. No segundo dia, a jornalista Cleidiana Ramos, a professora Lindinalva Barbosa e a escritora Anajara Tavares.
“Eis que chegamos aos 10 anos de Balada Literária da Bahia, com honra e alegria em homenagear Mãe Stella de Oxóssi e integrar a programação de seu centenário, em parceria com o Ilê Axé Opô Afonjá. Ela e o terreiro simbolizam bem o empenho em nos mantermos de pé, respeitando a diversidade, porém preservando identidade própria. A Balada continua um palco para a palavra sem amarras e o diálogo das artes, com espaços efetivos para as expressões da negritude.”
Encontros e bate-papos
A Balada Literária da Bahia 2025 terá a presença de cerca de 30 autores baianos e de outros estados. Mesas temáticas debaterão o próprio conceito de literatura negra, o combate ao racismo nas letras e as vozes e corpos divergentes na literatura nacional. Entre os autores de outros estados, confirmaram presença: Esmeralda Ribeiro (SP), Cristiane Sobral (DF), Juliana Correia (RJ), Jéssica Balbino (MG) e Paulo Scott (RS). Entre os baianos, teremos: Samuel Vida, Hamilton Borges, Jairo Pinto, Anajara Tavares, Vércio, Fábio Mandingo e Jocélia Fonseca. Nos três dias, no início da tarde, haverá rodas de poesia, e após cada mesa, sessões de autógrafos.
A literatura também é o eixo central do filme Cadernos Negros, que estreia nacionalmente durante a Balada. O documentário venceu o prêmio do público na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e conta a história da publicação homônima, criada nos anos 1970 para dar voz à poesia e prosa de escritores e escritoras pretas. A exibição acontecerá na Sala Walter da Silveira, no dia 30 de novembro, às 10h, com as presenças do diretor e roteirista Joel Zito e da escritora Esmeralda Ribeiro. Após a sessão, teremos um bate-papo mediado pela cineasta Camila de Moraes.
“Cadernos Negros é parte de um desejo e esforço meu em contribuir para uma cartografia audiovisual da cultura negra brasileira, dando visibilidade a coisas fundamentais ignoradas pelo mainstreaming. Nele, buscamos mostrar a pujança da literatura negra brasileira, e da cena paulistana nos últimos quarenta anos.”
OUTROS DESTAQUES DA BALADA 2025
Escarro Início: O ator Leno Sacramento apresenta o monólogo Escarro Início, terceira parte da trilogia Encruzilhadas, na qual ele fala das mortes, reais e simbólicas, do povo negro. Com texto do próprio Leno e co-dirigido por ele e Roquildes Júnior, o espetáculo será apresentado no Quadrilátero da Biblioteca dos Barris. Após a performance, ele conversa com a escritora, atriz e dramaturga brasiliense Cristiane Sobral, com mediação da jornalista Ana Cristina Pereira. Dia 28 de novembro, às 19h30.
Direito à leitura: Autor de vários romances e livros de poesia, incluindo o premiado “Marrom e amarelo”, o gaúcho Paulo Scott traz à Balada outra faceta de seu trabalho. Scott, que também é advogado, participa da mesa “Direito, Antirracismo e Literatura”, com o advogado e professor Samuel Vida e mediação de Nelson Maca. Paulo Scott vai falar do livro “Direito Constitucional Antirracista” (Thomson Reuters), que será lançado no evento. Dia 28 de novembro, às 17h.
Balada da Memória Afetiva: Sessão de cinema com quatro filmes: “Fàmóra: A Bahia Abraça Vera Lopes” e “Construindo Poesias - Juraci Tavares”, de Ricardo Soares; “Miró: Preto, Pobre, Poeta e Periférico” e “SP : Solo Pernambucano”, de Wilson Freire. A sessão encerra com bate-papo com os diretores dos filmes, sob a mediação da cineasta Camila de Moraes. Dia 29 de novembro, às 19h30.
Lançamentos: A Balada será o palco de lançamento de produções recentes, na prosa e na poesia: a jornalista mineira Jéssica Balbino traz o elogiado “Porca Gorda” (Barraco Editorial), uma autoficção que expõe a violência da gordofobia contra mulheres; a carioca Juliana Correia lança “Malungos e outras histórias” (Letramento), seu primeiro livro para o leitor adulto; e a escritora e defensora Julia Baranski, paulista radicada na Bahia, apresenta “Prostitutas vos Precederão no Reino dos Céus” (Nós), vencedor do Prêmio Balada Literária.
Show de encerramento: A Balada termina ao som de três cantores, compositores e instrumentistas, que representam a diversidade da música brasileira: Del Irerê, que traz a força da canção e dos ritmos envolventes do Recôncavo, o reggaeman baiano Prince Áddamo, e o piauiense Emerson Boy, com suas misturas sonoras, que vão do repente ao samba rock.
SERVIÇO
O quê: Balada Literária da Bahia 2025
Quando: de 27 a 30 de novembro
Onde: Terreiro do Ilê Axé opô Afonjá, no São Gonçalo do Retiro, Biblioteca Central do Estado da Bahia e Sala Walter da Silveira
Entrada gratuita