O segundo dia da Bienal do Livro Bahia 2026 reafirmou a força da produção literária baiana ao promover um diálogo entre a academia, o pensamento contemporâneo e a tradição popular. Com o Centro de Convenções de Salvador lotado, a programação desta quinta-feira (16), destacou a pluralidade de vozes em debates que atravessaram desde a sensibilidade poética até os riscos das fake news para a democracia.
O evento é uma realização que conta com o apoio estratégico do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Educação (SEC), e Secretaria de Cultura, via Fundação Pedro Calmon (FPC).
Literatura e Academia
A manhã começou com a mesa “A Universidade também escreve ficção”, que reuniu os escritores Alessandro Fernandes de Santana e Ari Sacramento, sob mediação de Manuella Cajaiba. O debate focou na aproximação entre o saber acadêmico e a criação artística. “A poesia é a tradução da vida real e também da vida sonhada. É preciso despertar a sensibilidade para as grandes questões, sob o risco de banalizarmos a arte”, pontuou Santana.
Para Ari Sacramento, o ambiente universitário deve ser, essencialmente, um espaço de acolhimento literário: “A arte é um espaço de produção de saber”. A mesa ainda reforçou a importância dos editais públicos como ponte entre autores e editoras universitárias.
Enfrentamento às Fake News
No período da tarde, o Café Literário trouxe um dos temas mais urgentes da atualidade: “Sobrevivendo na era das Fake News”. O debate reuniu Jean Wyllys, Emiliano José da Silva Filho e Midiã Noelle, com mediação de Tarsila Alvarindo.
Jean Wyllys defendeu a urgência da alfabetização digital: “A educação digital precisa caminhar com a pedagógica. As crianças precisam compreender esse ambiente que oferece riscos reais”. Ele alertou para o que chamou de "falsolatria" — o culto coletivo à mentira nas redes.
Complementando a visão social, a jornalista Midiã Noelle destacou que o combate à desinformação é uma pauta de cidadania. “Não existe democracia com racismo. Pensar em educação midiática é pensar no futuro do país”, afirmou.
Emiliano José reforçou o alerta sobre os mecanismos de manipulação, destacando que o aparato midiático atual trabalha tanto na divulgação estratégica quanto na ocultação deliberada de fatos.
Representatividade e Tradição
A diversidade foi o fio condutor das atividades do projeto “Vozes da Bahia”. Com mediações de Lorena Ribeiro e Ane Kethleen Pataxó, o palco deu visibilidade a narrativas indígenas, territoriais e de variadas experiências literárias. A tradição oral também teve lugar de destaque com a performance dos cordelistas Mestra Lainha e Antônio Barreto.
O público infantil foi contemplado com o lúdico através da apresentação “As aventuras do marinheiro José”, de Carla de Jesus e Mano Gavazza. O dia encerrou-se com a celebração da escrita feminina na atividade “Coletânea Palavras e Marés”, promovida pela AJEB-BA.
Serviço
A Bienal do Livro Bahia 2026 continua com programação diversa até o dia 21 de abril, consolidando-se como o principal vetor de democratização do acesso à leitura e fomento à economia criativa no estado.