O centro da capital baiana ficou repleto de poetas, cordelistas, atrizes, estudantes e professores de escolas públicas na última sexta-feira, 14 de março, data em que se comemora o aniversário do poeta baiano Castro Alves. O XXI Cortejo em comemoração ao Dia Nacional da Poesia reuniu amantes dessa arte durante todo o dia, em uma grande celebração coletiva, recitando poemas e distribuindo folhetins literários. O evento contou com o apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), órgão vinculado à Secult/BA.
Adultos, crianças e idosos saíram por volta das 9h da manhã da Praça da Piedade em cortejo, percorrendo a Avenida Sete de Setembro, parando no Relógio de São Pedro e no Mosteiro de São Bento para momentos de declamação. As alas seguiram com professores e alunos da Escola Permínio Leite; Escola Cosme de Farias Ala Carolinas; Colégio Ypiranga; Colégio Teodoro Sampaio e representantes da Sociedade Unificadora de Professores e do Movimento Poetas ao Ar Livre.
Para o poeta, pedagogo, arte-educador, diretor da Biblioteca Infantojuvenil Betty Coelho e coordenador do Cortejo desde o início, Douglas de Almeida, “nós comemorarmos o aniversário desse poeta brasileiro, que é baiano para o nosso orgulho, é muito importante como expressão artística. O fato de recitarmos poemas no meio da rua, cantar parabéns, cortar um bolo com crianças, é muito lúdico e prazeroso. Além de ser um espetáculo, é uma aula a céu aberto, e estamos construindo uma plateia, democratizando a arte e dando dignidade à rua com essa manifestação artística, independente de classe social, grau de instrução ou faixa etária”, declarou.
Com destino certo, o percurso levou o público até a praça em que leva o nome do homenageado: Praça Castro Alves. Um recital coletivo do poema ‘O Livro e a América’ foi realizado e o destaque ficou para o importante ato simbólico ‘Abraço ao Monumento de Castro Alves’, no qual várias pessoas circulavam a escultura do poeta de mãos dadas como um ato de amor, honra e respeito ao seu legado, que representa tanto o povo baiano e brasileiro.
A interpretação de Castro Alves ficou por conta do poeta Marcos Peralta que, há 24 anos, empresta sua voz e seu corpo para dar vida ao homenageado. Integrando a coordenação do Cortejo e o Coletivo Poesia Além das 7 Praças, Marcos afirmou que o evento é “uma atividade importantíssima, por incentivar o encantamento à literatura, promovendo atividades interativas com a população e a participação entusiasta de várias escolas públicas e o trânsito em geral. Esse ano, como novidade, além desse tradicional cortejo nós ampliamos o evento para o dia todo”.
Em seguida, foi cantado ‘Parabéns pra você’, em celebração ao aniversário do poeta. A grandiosidade do artista das palavras mereceu um bolo à sua altura que, medindo 178 centímetros, remeteu a idade que Castro Alves teria hoje se estivesse vivo. Na ocasião, dois outros grandes artistas também nascidos no dia 14 de março foram homenageados com interpretações: a escritora Carolina Maria de Jesus e o cineasta Glauber Rocha. Os poetas caracterizados de Cuíca de Santo Amaro por Edilson Dias e Gregório de Matos por Osmar Tolstói também se apresentaram.
Interpretando Glauber Rocha, o poeta Emerson Bulcão avaliou que “a importância de reivindicar o dia 14 de março como Dia Nacional da Poesia é um ato de resistência. É sempre necessário reafirmar também que é comemorado o dia de nascimento do cineasta Glauber Rocha, o qual tive a imensa honra de interpretar no Cortejo. Maria Carolina de Jesus e Adias do Nascimento também nasceram nessa data”.
A abertura oficial da ‘Feira Literária Esperando o Pôr do Sol’ aconteceu às 14h, com uma breve apresentação literária e integrantes da Escola Municipal Permínio Leite representaram a instituição, que foi convidada. Grupos de poetas e editoras baianas promoveram rodas de conversa, lançaram livros e fizeram sessão de autógrafos. Os estandes da Editora Cogito; Fala Escritor; Barraca do Cordel; Banca Poetas na Praça; Coletivo Poetas Negras e Biblioteca Betty Coelho estiveram disponíveis. O objetivo foi difundir a literatura brasileira e a poesia baiana para a população geral.
A gestora da Escola Municipal Permínio Leite, Ádina Romeiro, disse que “o Cortejo já faz parte do calendário da nossa escola. Nós já iniciamos o ano programando essa ação, pois temos uma parceria muito bacana com toda a equipe que organiza o evento. Trazer o conteúdo de forma significativa, que a criança possa estudar e estar vendo na prática tem um significado muito maior. A gente acredita que a aprendizagem aconteça de maneira mais eficiente dessa forma. Nossa escola fica no bairro onde residia o poeta Castro Alves e para nós é uma felicidade muito grande estar contribuindo com um momento tão importante do nosso bairro, aqui no Centro Histórico”.
O sarau lítero-musical ‘Esperando o Pôr do Sol’ teve início às 16h, com participação de diversos coletivos integrantes, que regularmente promovem saraus em bares, teatros, bibliotecas e praças públicas. Participaram integrantes da Editora Cogito; Biblioteca Betty Coelho; Exploesia/Notas Musicais; Clube dos Poetas da Bahia; Sarau Vermelho; Fala Escritor; CPA7P e do Movimento Poetas ao Ar Livre.
Participando do Cortejo há mais de 20 anos, desde 2005 Jeane Sánchez coordena o evento, além de integrar a Biblioteca Betty Coelho. Há dois anos consecutivos, interpretou Carolina Maria de Jesus. “Pra mim, é uma intervenção urbana na cidade que reverbera para o estado da Bahia, pois muitas outras cidades também fazem homenagens ao poeta Castro Alves e à poesia. Esse evento é um marco histórico na vida cultural da cidade, pois junta diversos coletivos, artistas independentes e instituições pelo direito de viver à arte de rua em tempos difíceis de celebração”, ressaltou.
O evento teve o apoio da Biblioteca Infantojuvenil Betty Coelho; Biblioteca Prometeu Itinerante; Colégio Estadual Teodoro Sampaio; Colégio Estadual Ypiranga; Coletivo Poesia Além das 7 Praças; Companhia Teatral A Pombagem; Editora Cogito; Escola Municipal Cosme de Farias; Escola Municipal Permínio Leite; Movimento Exploesia; Movimento Poetas ao ar Livre; Projeto Fala Escritor e da Sociedade Unificadora de Professores.
Fotos: Felipe Martins