O encontro marcou a retomada das atividades do grupo em 2025
A manhã desta sexta-feira (25) foi marcada por trocas potentes e saberes ancestrais no 1º Encontro do Núcleo de Estudos em Danças Afro-Brasileiras – AGÔ 2025, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), por meio do Centro de Formação em Artes (CFA). Realizado na Sala Cênica da Escola de Dança da Funceb, no Pelourinho, o evento reuniu estudantes, professores e convidados em uma roda de diálogo dedicada à valorização das danças de matriz africana e à afirmação do corpo negro na cena.
Com o tema “Estudo do Movimento na Dança Afro-Brasileira”, o encontro promoveu reflexões sobre a presença, a estética e a potência simbólica da dança negra no Brasil. A mesa foi composta pela professora Conceição Castro, da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e pelas mestras pesquisadoras do Grupo Odundê: Tânia Bispo, Edileuza Santos, Leda Ornellas e Sueli Ramos — referências vivas na construção de uma pedagogia da dança afro-brasileira.
“Esse encontro marca não só o retorno das atividades do Núcleo AGÔ em 2025, mas também reafirma o compromisso da Escola de Dança com uma formação que valoriza as matrizes afro-brasileiras como fundamento da nossa prática artística e pedagógica. É um momento de escuta, de celebração e, sobretudo, de afirmação da memória e do corpo negro na dança”, destacou a coordenadora dos Núcleos de Extensão da Escola de Dança da Funceb, Silvia Rita.
Criado em 2017, o Núcleo AGÔ é um espaço de estudos e trocas voltado para a investigação das danças afro-brasileiras, com foco no fazer artístico e pedagógico. O encontro marcou a retomada das atividades do grupo em 2025 e reafirmou seu compromisso com a valorização de práticas corporais enraizadas nas culturas negras.
Durante o debate, as convidadas compartilharam suas experiências, pesquisas e memórias ligadas ao surgimento do Grupo Odundê, na década de 1980, no contexto efervescente da cultura negra em Salvador, impulsionado pelos blocos afro e pelas linguagens artísticas que se formavam à margem dos espaços oficiais.
Para os estudantes do Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Dança da Funceb, foi uma oportunidade de acessar narrativas que nem sempre estão nos livros, mas que habitam corpos, vozes e territórios da memória.
O evento também fortaleceu a atuação do CFA na promoção de uma formação crítica, diversa e conectada às raízes culturais afro-brasileiras, valorizando os saberes de mestres e mestras que vêm moldando os caminhos da dança na Bahia.
Fotos: Beatrice Imperial