Escola de Dança da Funceb abre Tríduo da Dança com debates sobre profissionalização e fortalecimento da carreira artística

29/04/2025
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Evento segue até o dia 30 de abril, no Pelourinho

O Centro de Formação em Artes (CFA) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), deu início nesta segunda-feira (28) ao Tríduo da Dança: Corpos em Movimento, Vozes que Dançam, Identidades que Florescem. A abertura aconteceu na Sala Cênica da Escola de Dança da Funceb, no Pelourinho, reunindo estudantes, artistas, gestores e profissionais para um dia de trocas, reflexões e orientações práticas sobre os caminhos da profissionalização na dança.

O primeiro dia do evento teve como tema "Profissionalização na Dança: caminhos para a construção de uma carreira sustentável" e contou com a participação especial da bailarina Dina Tourinho, do Balé Teatro Castro Alves (BTCA). Em o solo intenso e delicado ´É só isso!', Dina emocionou o público ao compartilhar, através da dança e da palavra, vivências do cotidiano artístico, promovendo a reflexão acerca da importância da autenticidade, saindo dos rótulos impostos pela sociedade e fortalecendo a valorização da própria existência. 

Em seguida, especialistas trouxeram informações essenciais para quem quer consolidar a carreira na dança. Célia Lima, analista técnica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), ministrou uma palestra prática sobre a formalização como Microempreendedor Individual (MEI), reforçando a importância da gestão financeira e da organização administrativa. 

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"Formalizar-se é um passo fundamental para garantir direitos, acessar oportunidades e fortalecer a autonomia dos artistas da dança. O MEI é uma das ferramentas para que se emita nota fiscal e abra conta de pessoa jurídica, passando uma credibilidade maior para o contratante. Estar regularizado amplia horizontes e profissionaliza ainda mais o fazer artístico. Eles precisam ter um mínimo de segurança profissional e um respaldo do governo e das instituições”, ressaltou Célia.

Gabriela Sanddyego, diretora das Artes da Funceb, destacou a relevância da previdência social e da segurança jurídica para os trabalhadores da cultura. "Cuidar da nossa segurança previdenciária e jurídica também é uma forma de resistência. Um artista que se reconhece trabalhador e se organiza tem mais força para viver da sua arte com dignidade", enfatizou Gabriela Sanddyego.

O advogado Marcelo Falcão, que possui três anos na área jurídica e 20 como profissional da dança, abordou aspectos contratuais no campo artístico trazendo o slogan: "A dança é arte, mas também é profissão. Conhecer os aspectos legais protege o artista e garante relações justas". Durante sua apresentação, ele tirou muitas dúvidas e interagiu com a plateia justamente por passar por inúmeras situações semelhantes ao longo das duas décadas no universo da dança. 

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“Foi maravilhoso participar desse evento. Ter vivido aqui na Funceb e poder trazer esse conteúdo pra eles hoje foi fundamental. Na minha época, até tinham eventos assim, mas não era a gente falando pra gente. A ideia é que se evite que as mesmas coisas aconteçam com as próximas gerações, como aconteceram com as nossas. É importante que se valorize mais a nossa profissão, porque ela é uma profissão e precisa ser tratada como tal não só por nós, mas por quem contrata também”, afirmou Marcelo. 

Sobre a iniciativa do Tríduo da Dança, Ilana Souza, de 19 anos, estudante do 3° semestre do curso técnico profissional da Funceb, disse que “foi muito bom, porque normalmente a gente está dentro da sala de aula estudando técnica de dança, fazendo a prática de dança e não tem essa parte mais burocrática, que é necessária. Às vezes, nem sabemos o que temos de direitos. Aprendi muito e inclusive já vou utilizar e procurar saber mais”.

Para Israel Pires, de 27 anos, também estudante do 3° semestre do curso técnico profissional em dança da Funceb, “percebi que não estou sozinho. Me fez sentir que dá pra fazer, dá pra acontecer e existe um caminho a seguir. Ter esse diálogo fez com que a gente encontrasse um espaço onde buscamos essa realidade que pode existir, que deve existir, que é a profissionalização da dança”, refletiu.

Pra fechar o evento, o Meio-Dia Improvisa contou com um solo de dança do bailarino Valter Oliver, aluno de dança moderna nos Cursos Livres da Funceb e integrante da Cia. de Dança Robson Correia, além de um desfile com modelos da agência PJT Models e meninos e meninas do projeto Periferia do Futuro, que levantaram a galera em meio a gritos e aplausos calorosos. A Funceb cede espaço para que o idealizador Sivaldo Tavares promova suas atividades, realizando o sonho de jovens que buscam carreira no mundo da moda. 

 

Fotos: Lucas Malkut / Ascom Funceb