Estudantes e jovens artistas se envolveram intensamente nas discussões
Na última terça-feira (29), a Escola de Dança da Funceb celebrou o Dia Internacional da Dança com uma programação especial dentro do Tríduo da Dança: Corpos em Movimento, Vozes que Dançam, Identidades que Florescem. O dia foi marcado por trocas potentes, escutas sensíveis e celebrações da dança enquanto expressão política, identidade e construção de futuro.
Pela manhã, a Sala Cênica da Escola de Dança, no Pelourinho, recebeu o painel “Dança e Identidade: trajetórias, resistências e mercado de trabalho”, com mediação da mestre de cerimônia Beatrice Imperial.
A roda de conversa contou com falas de Ronald Castro, assessor especial da Coordenação de Políticas para a Juventude (Cojuve), e de Ninfa Cunha, coordenadora do Espaço Xisto Bahia, que refletiram sobre a importância da dança como ferramenta de valorização da juventude e dos corpos periféricos, negros e criativos.
“Estar aqui hoje é reafirmar o nosso compromisso com a juventude negra, periférica e criativa que ocupa os espaços da arte e da cidade. A dança é um instrumento de emancipação e precisa ser reconhecida como trabalho e como direito”, destacou Ronald Castro.
Para Ninfa Cunha, a arte tem papel estratégico na transformação social. “A arte nos atravessa, nos forma e nos impulsiona. A dança nos dá linguagem para existir, resistir e negociar nossos lugares no mundo”, afirmou.
O público, formado majoritariamente por estudantes e jovens artistas, se envolveu intensamente nas discussões. Para Luana Coelho, estudante do Curso Profissional da Escola de Dança da Funceb, o encontro foi transformador. “Me ver representada ali, ouvir pessoas que entendem nossos dilemas, nossas potências, me deu gás pra seguir. É bom demais saber que não estamos sozinhas”.
A artista e professora Mariana Pessoa, reforçou a importância desses espaços formativos: “A dança é o meu lugar de fala, de cura e de revolução. Participar desse encontro foi como dançar com a ancestralidade ao lado, com os pés fincados na realidade e os olhos voltados pro futuro.”
À tarde, a celebração ocupou o Largo Tereza Batista com o animado Aulão Show – Dança Bahia, que levou uma programação vibrante para o coração do Pelourinho. A aula de aquecimento ficou por conta de Ian Petterson e Hainner Souza, seguida por apresentações dos grupos Ballet Adriel, Ballet Xanddy Harmonia, Ballet Parangolé, OKAN – Balé Folclórico da Bahia e Ballet AfroBapho.
A DJ Lunna Montty encerrou o circuito de performances com sua discotecagem cheia de identidade e ancestralidade. Fechando o dia com energia e raiz, os professores Tati Campêlo e Dudé Conceição conduziram uma emocionante aula de Dança Afro-Brasileira, reunindo público e artistas em uma celebração coletiva da memória, do corpo e da tradição.