Na quarta-feira (30), a Escola de Dança da Funceb viveu mais um momento memorável com o encerramento do Tríduo da Dança: Corpos em Movimento, Vozes que Dançam, Identidades que Florescem. O último dia da programação foi atravessado por reflexões, performances e debates sobre o cenário da dança na Bahia, celebrando a dança como ferramenta de resistência, identidade e expressão coletiva.
Durante a manhã, a Sala Cênica recebeu uma oficina prática de Portfólio Artístico com Anne Rodrigues, que compartilhou orientações valiosas sobre como estruturar e apresentar trajetórias profissionais na área da dança. Em seguida, a roda de conversa com os artistas e educadores Nildinha Fonsêca e Jorge Silva promoveu uma potente escuta sobre os desafios e conquistas de quem se dedica à dança como forma de vida.
“A dança é o lugar onde o corpo grita o que as palavras não conseguem dizer. Ela transforma o invisível em presença e o silêncio em narrativa. Estar aqui hoje, dialogando com a nova geração, é plantar sementes de continuidade e pertencimento”, afirmou Jorge Silva, emocionado com as trocas do encontro.
À tarde, a Escola de Dança foi tomada por uma atmosfera vibrante e afetiva. As apresentações do Curso Preparatório da Escola de Dança, da Cia Talentos e dos trabalhos coreográficos de estudantes concluintes mostraram o quanto a formação técnica pode se aliar à criatividade, à ancestralidade e à experimentação estética.
Entre os destaques, estavam as coreografias “Vozes Espadas”, “Retorno” e o solo das estudantes concluintes, que emocionaram o público e mostraram o alto nível artístico das produções. A presença de familiares, colegas e artistas da comunidade ampliou a potência do momento.
Luciana Costa, coordenadora do Curso Preparatório, destacou a importância simbólica do momento: “Esses corpos em cena representam trajetórias diversas, sonhos em movimento e muita luta. O que vimos aqui é fruto de um processo formativo que respeita o tempo de cada um e potencializa as singularidades. É gratificante ver esse brilho nos olhos e essa força no palco.”
Maria Luiza, estudante de dança da UFBA, foi prestigiar a ação e destacou a importância de espaços como o Tríduo. “Ver uma escola pública de dança movimentando o Pelourinho com arte e consciência é inspirador. Saio daqui abastecida, com vontade de me conectar ainda mais com a rede de artistas da Bahia. Foi uma aula de corpo, de vida e de política.”
O Tríduo da Dança 2025 se despediu deixando um rastro de emoção, potência e movimento. Durante três dias, a Escola de Dança da Funceb pulsou como um coração aberto: acolhendo trajetórias, provocando reflexões e celebrando a força da arte que nasce dos corpos, da coletividade e da resistência. No compasso dos tambores, nas falas partilhadas e nos gestos coreografados, cada momento reafirmou a dança como ferramenta de transformação, identidade e liberdade.
Mais que um evento, o Tríduo foi um chamado: para que artistas sigam criando, resistindo e sonhando juntos. Porque, no fim das contas, dançar é também persistir — com beleza, com coragem e com fé no movimento que reinventa o mundo.