Mostra Artístico-Pedagógica abre temporada de celebrações da Escola de Dança da Funceb

29/05/2025
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Foto: Lucas Malkut

A programação segue com Mostra dos Formandos de 2 a 6 de junho 

O Espaço Xisto Bahia foi palco, na noite da última terça-feira (27), da Mostra Artístico-Pedagógica do Curso de Educação Profissional Técnico de Nível Médio em Dança da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). Com entrada gratuita, o evento reuniu familiares, artistas, educadores e entusiastas da dança para prestigiar as criações desenvolvidas pelos estudantes ao longo do semestre letivo.

Com apresentações que atravessaram as linguagens da dança afro, contemporânea e moderna, a Mostra firmou-se como um espaço de síntese e partilha dos percursos pedagógicos vividos em sala de aula, mas também como território de expressão política e subjetiva.

“É o momento em que os nossos estudantes colocam em cena não só o que aprenderam tecnicamente, mas também o que sentiram, refletiram e criaram ao longo do semestre. É um espaço de potência, de atravessamentos e de afirmação da dança como ferramenta de transformação social e subjetiva”, afirmou Ágatha Simas, coordenadora do curso.

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Foto: Lucas Malkut

A programação contou com trabalhos que revelaram o compromisso com processos criativos coletivos, nutridos pela escuta, pesquisa e engajamento dos intérpretes-criadores.

A obra “Orí Ìwá (Essência da Existência)” levou ao palco a simbologia de orixás como Omolu/Obaluaê, Exu, Oxumarê, Ogum, Oxóssi e Xangô, em uma coreografia potente orientada pelos professores Matheus Ambrozi, Tati Campêlo e Milena Sampaio. A proposta reverenciou a ancestralidade e destacou a contribuição dos artistas que constroem e reinventam a dança afro na Bahia.

No campo da dança contemporânea, a professora Alice Rodrigues conduziu os estudantes em investigações que resultaram em obras como “Retalhos”, “(An)danças constantes”, “Engrenagens” e “Tsunami”, onde o corpo se tornou ferramenta de escavação da memória e do cotidiano. 

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Foto: Lucas Malkut

Já sob a orientação de Robson Portela, os trabalhos da linguagem moderna apostaram na articulação entre técnica e poética a partir de experiências pessoais, com os próprios alunos assumindo também a criação de figurinos, iluminação e direção de cena.

Para além do palco, o público foi convidado a explorar o foyer do Espaço Xisto, que recebeu uma instalação artística com desdobramentos das disciplinas de Capoeira, Danças Populares e Danças Urbanas, coordenada pelos professores Anderson Gavião e Davi Barros. A intervenção ampliou a Mostra para outros suportes sensoriais e reafirmou a diversidade da formação oferecida pela Escola de Dança da Funceb.

Danilo Pereira, estudante do 5º semestre, falou com entusiasmo sobre a importância da experiência. “A gente entende a dança como um lugar onde o corpo fala o que muitas vezes a palavra não dá conta. Colocar tudo isso em cena é emocionante demais. Cada coreografia tem muito suor, conversa e entrega. É um processo que transforma a gente”, declarou.

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A diretora do Centro de Formação em Artes da Funceb, Nildinha Fonseca, destacou o papel do evento como parte do projeto político-pedagógico da Escola: “Este evento é uma afirmação da força da formação pública em arte na Bahia. Aqui, vemos a dança sendo vivida em sua plenitude: como linguagem, reflexão crítica e espaço de emancipação. A Mostra nos revela jovens artistas comprometidos com o presente e o futuro da cena cultural do nosso estado”, ressaltou.

Mais do que uma culminância, reafirma o compromisso da Escola com a formação de artistas-pensadores que compreendem a dança como campo expandido de existência. “Cada trabalho revela a singularidade de um corpo em formação, que aprende fazendo, e que se posiciona no mundo através da arte”, concluiu Ágatha Simas.

A programação segue de 2 a 6 de junho, onde o Espaço Xisto Bahia recebe a Mostra dos Formandos 2025.1 da 36ª turma do Curso de Educação Profissional Técnico de Nível Médio em Dança da Escola de Dança da Funceb, com espetáculos que marcam o encerramento de um ciclo formativo e a transição para novas.