Mais de dois séculos de história foram comemorados na manhã da última quarta-feira (2), durante o Desfile Cívico 2 de Julho. É que 10 bandas filarmônicas da Bahia desfilaram em cortejo pelo Centro Histórico de Salvador até o Terreiro de Jesus, levando muita emoção e brilho às ruas da capital baiana.
Entre veteranas e estreantes, os grupos celebraram os 202 anos de Independência do Brasil na Bahia, através de chamamento público promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).
Para Sara Prado, diretora da Funceb, “estamos felizes enquanto Fundação Cultural de poder garantir a participação das Filarmônicas, que são instituições centenárias, trabalhando com a cultura e com a arte, mas sobretudo com a memória desse processo nos municípios onde estão inseridos e que vem pra Salvador pra comemorar junto com o povo baiano, junto com o povo brasileiro esse momento”, afirmou.
Dentre as estreantes esteve a Filarmônica Ambiental, da zona rural de Barra de Pojuca, em Camaçari, que existe há 24 anos e conta com integrantes de idades entre 11 e 18 anos. O maestro e saxofonista, Cayo Vieira, ressaltou que “foi uma honra participar, porque esses meninos já têm desde pequenos o costume de exaltar o 2 de Julho como a data cívica da Bahia. Pra eles foi uma coisa diferente, porque eles nunca fizeram um desfile cívico com essa magnitude”.
O maestro, arranjador e fundador da Filarmônica Ambiental, Fred Dantas, destacou que a participação no Desfile 2 de Julho “foi muitíssimo importante, pois foi um incentivo e uma alavanca para o crescimento e motivação da banda e de todos individualmente. É a primeira vez dos participantes que estão aqui, então é totalmente novo”.
Depois de 15 anos desde a última vez que participou do cortejo, a Sociedade Phylarmônica Lyra Popular de Lençóis, na Chapada Diamantina, retornou ao evento via edital da Funceb. “Graças a Deus, fomos selecionados e a tendência agora é manter essa força no mundo musical e esse padrão para os próximos anos. Foi um momento muito importante fazer parte dessa data especial para todos nós, baianos”, comemorou o maestro Washington Sueira.
Com integrantes que vão desde crianças de 10 anos até idosos, Florisvaldo Lopes, de 78 anos, é o mais antigo entre os integrantes da Filarmônica Lyra Popular de Lençóis, tocando prato na ala de percussão. “Toco há 67 anos na filarmônica. Sou o mais velho e pra mim é uma alegria muito grande fazer parte”, celebrou.
Centenárias e oriundas do recôncavo baiano, os municípios de Maragojipe, Santo Amaro e Cruz das Almas também tiveram suas filarmônicas contempladas no chamamento público. Com integrantes que passam de geração a geração, a Filarmônica Terpsícore Popular, de Maragojipe, tem em seu regente um exemplo vivo disso. Participante desde os 11 anos de idade, Roque Adson está à frente do grupo há mais de 20 anos. “Para mim, é gratificante representar Maragojipe aqui na capital. Nós temos muita história”, avaliou. Existente há 145 anos, a filarmônica contém músicos com faixa etária que varia de 15 a 60 anos de idade.
A Sociedade Filarmônica Filhos de Apolo, em Santo Amaro, tem 127 anos de existência e “veio abrilhantar mais um 2 de Julho na cidade de Salvador, mostrando a cultura local”, considerou o regente Jairo dos Santos. Também retornando depois de sete anos sem participar, “emplacar esse edital motivou muito a banda. Meninos que estavam deixando de vim voltaram a aparecer, então essas apresentações aqui em Salvador são muito positivas. Estamos vindo com todo o gás e a banda está bastante renovada”, declarou Eliel Batista, regente da Sociedade Filarmônica Euterpe Cruzalmense, em Cruz das Almas.
Em 2025, desfilaram através da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) as bandas: Sociedade Phylarmônica Lyra Popular de Lençóis (Lençóis); Sociedade Filarmônica Santa Cecília (Palmeiras); Filarmônica Ambiental (Camaçari); Sociedade Filarmônica Euterpe Cruzalmense (Cruz das Almas); Filarmônica Terpsícore Popular (Maragojipe); Sociedade Filarmônica Filhos de Apolo (Santo Amaro); Filarmônica Lyra Popular (Belmonte); Filarmônica Minerva Cachoeirana (Cachoeira); Sociedade Filarmônica Minerva (Morro do Chapéu) e a Sociedade Filarmônica Lyra Popular (Castro Alves).