O último fim de semana foi agitado no bairro da Sussuarana, em Salvador, com várias atrações artísticas promovidas pela Fundação Cultural do Estado (FUNCEB/SecultBA), durante a 8ª edição do Novembro das Artes Negras. Na programação, apresentações de circo, teatro, roda de samba, música e caminhada sob o tema "Aquilombar-se: Resistência, Arte e construção coletiva”.
Na tarde de sábado (22), crianças e adultos se divertiram no Centro Pastoral Afro Heitor Frisotti (CENPAH) com o espetáculo circense do Kilombo do Circo Cumbuca, com a condução da irreverente Palhaça Kuia. O grupo apresentou números que atravessam técnicas de dança, teatro e performances com malabares, bambolê e outros objetos, alegrando todas as pessoas presentes.
Em seguida, houve a Mostra de Samba de Roda, fruto da oficina ministrada por Jedjane Mirtes. Com participantes que vão desde os 12 anos até os 79 e uma participação masculina, a roda animou o público com seus figurinos coloridos, coreografias intensas e depois uma grande roda foi aberta para a integração de quem quisesse sambar junto.
Para fechar a programação do dia, foi encenado o espetáculo teatral “Vovô”, explorando as relações familiares pretas com foco na figura do avô. Surpreendendo pela força das atuações e texto emocionante, os atores Pedro Zaki e Rafa Martins puxaram a atenção da plateia, que interagiu de maneira contagiante às cenas. Logo após, foi aberto um bate-papo para troca de percepções com o público.
Dirigido por Leno Sacramento, do Bando de Teatro Olodum, a peça nasceu de relatos pessoais e faz um resgate da memória íntima e ancestral. O projeto iniciou sua trajetória no ambiente virtual em 2021, foi adaptado para o palco em 2022 e já circulou por diversos espaços em palcos tradicionais e, de forma significativa, em comunidades e terreiros de candomblé na Bahia.
No domingo (23), logo pela manhã, dezenas de pessoas participaram da Caminhada da Consciência Negra em Sussuarana, juntamente com o Grupo de Samba MAVAN e integrantes do bloco afro Ilê Aiyê. O cortejo foi formado por grupos de jovens, estudantes, poetas, capoeiristas, religiosos, músicos, dançarinos e todos e todas que defendem a vida, a paz, a afirmação e o respeito às diferenças, principalmente em defesa da vida de jovens negros, vítimas constantes de todo tipo de preconceito.
A 8ª edição do Novembro das Artes Negras propõe um mergulho nas potências criativas dos quilombos rurais e também dos urbanos, territórios onde corpos pretos transformam ausência em presença, silêncio em palavra e opressão em linguagem estética. Neste conceito, a programação conta com atrações que dialogam com a cultura afro-brasileira nas linguagens de Artes Visuais, Circo, Dança, Literatura, Música, Teatro e Audiovisual.
Na capital baiana, ocorrerão mostras de teatro, música, workshops e apresentações artísticas no Colégio Renan Baleeiro, em Águas Claras, no Centro de Direitos Humanos Franco Pellegrini (CEDHU), em Sussuarana e na Escola de Dança da Funceb, no Pelourinho. Em Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador (RMS), o Quilombo Pitanga dos Palmares e a Colônia Penal de Simões Filho também receberão a programação.
A propostas artísticas que integram a 8ª edição do Novembro das Artes Negras foram selecionadas por meio de edital elaborado com base na Lei nº 14.399/2022 (Lei PNAB), Decreto nº 11.740/2023 (Decreto PNAB), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc Bahia, direcionada pelo Ministério da Cultura - Governo Federal.
Este ano o projeto conta com o apoio da Fundação da Criança e do Adolescente (FUNDAC), a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), do Coletivo Bahia Pela Paz de Águas Claras, do Quilombo Pitanga dos Palmares e do Centro de Direitos Humanos Franco Pellegrin (CEDHU).