CFA abre programação do Novembro das Artes Negras com debates, memórias e celebração da corporeidade negra

25/11/2025

 

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A programação segue nos dias 25 e 26 de novembro de 2025. Foto: Felipe Martins
Celebrando o Mês da Consciência Negra e reafirmando o compromisso da Bahia com a valorização das expressões culturais afro-diaspóricas, o Centro de Formação em Artes da Funceb iniciou, nesta segunda-feira (24), a programação do Novembro das Artes Negras 2025. O evento reuniu estudantes, artistas, pesquisadoras, mestres e o público geral em uma manhã marcada por diálogos profundos sobre presença, narrativa e estética negra na criação contemporânea.
A mesa Corporeidade negra nas dramaturgias contemporâneas abriu os trabalhos com a participação da bailarina, coreógrafa e pesquisadora Edeise Gomes, da Yalorixá e arte-educadora Nitorê Akadã, e da bailarina carioca Ingrid Silva, sob mediação da diretora do CFA, Nildinha Fonsêca.
As convidadas discutiram caminhos criativos e políticos que têm sido construídos por artistas negras no Brasil e no mundo, destacando o papel da memória corporal e da ancestralidade como guias para novas dramaturgias.
Para Nitorê Akadã, o Novembro das Artes Negras reafirma um compromisso que precisa se estender ao calendário inteiro: “O protagonismo negro não pode aparecer só em novembro. A gente precisa ocupar espaços, decidir caminhos e narrar nossas próprias histórias durante todo o ano. Quando o corpo negro é reconhecido como centro e não como exceção, a arte se transforma, e a sociedade também.”
Para Edeise Gomes, revisitar a instituição neste momento tem significado especial: “Voltar à Escola de Dança é reencontrar uma parte da minha trajetória. É emocionante perceber como esses corredores continuam sendo lugar de provocação, aprendizagem e afeto. Estar aqui hoje, compartilhando pesquisa e memória, reafirma a importância da formação pública na dança.”
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Foto: Felipe Martins
No período da tarde, a programação seguiu com a Oficina de Turbantes, conduzida por pela Deusa do ébano Daiana Ribeiro. A artista apresentou o turbante como símbolo identitário, político e ancestral, compartilhando técnicas de amarração e contextualizando sua presença histórica nas diásporas africanas.
Encerrando o primeiro dia, o público assistiu à apresentação de Barro Mulher, de Fabiola Nansurê. A performance, marcada por intensidade cênica e simbologia profunda, percorreu memória, força e feminilidade negra, evocando elementos da terra e da diáspora como potências de criação e resistência.
“Trazer essa performance para o Novembro das Artes Negras é também celebrar a força da mulher negra que molda, sustenta e renova o mundo. Cada gesto é um retorno à origem e um convite para lembrar quem nos levantou.”
A programação segue nos dias 25 e 26 de novembro, na Escola de Dança, no Largo Pedro Archanjo e no Espaço Xisto Bahia, com atividades gratuitas e abertas ao público.