As atividades encerram nesta quarta-feira (26)
A Escola de Dança da Funceb viveu, na última terça-feira (25), um dia de trocas intensas, afetos e celebrações ao teatro negro, dentro da programação do Novembro das Artes Negras 2025, promovido pelo Centro de Formação em Artes (CFA). Com palestras, oficina, espetáculo e mostra pedagógica, o evento movimentou estudantes, artistas e a comunidade do Pelourinho, reforçando o papel do teatro como ferramenta de memória, política e transformação social.
Logo pela manhã, a palestra “Narrativas negras: recontar a história pelos nossos olhos” reuniu Maíra Azevedo, a Tia Má, e Zebrinha, com mediação de Thiago Romero. O encontro provocou reflexões sobre como artistas negros vêm reescrevendo suas histórias, deslocando perspectivas e ampliando os imaginários sobre identidade, ancestralidade e representação no Brasil.
“Estar nesta escola que forma corpos e mentes que vão contar as nossas histórias é um ato de aquilombamento sagrado. Esse encontro reacende na gente a certeza de que estamos plantando futuro”, destacou Maíra Azevedo.
Zebrinha reforçou: “Ver a juventude desta escola e a comunidade do Pelourinho juntas, debatendo a política do nosso corpo no palco, é garantir que o legado da nossa ancestralidade seja honrado. O teatro negro é a ferramenta mais potente que temos para nos educar, nos curar e, acima de tudo, nos celebrar".
A tarde seguiu com a oficina “Teatro negro como ferramenta política educativa”, conduzida por Thiago Almasy. A atividade investigou metodologias pedagógicas que articulam teatro, política e processos educativos, reforçando o corpo negro como produtor de conhecimento.
Em seguida, o público foi tomado pela emoção com “Kaiala”, espetáculo de Sulivã Bispo. A obra, que aborda identidades, memórias e espiritualidades afro-brasileiras, uniu dramaturgia, humor e crítica social, resultando em uma performance de grande impacto.
Para a estudante de artes cênicas, Patrícia Souza, “participar desta programação está sendo um choque de energia. A arte não é só estética, ela é uma trincheira. Saio daqui com a certeza de celebração da nossa identidade e da nossa luta”.
O dia foi encerrado no Espaço Xisto Bahia com a Mostra Pedagógica 2025.2 do Curso Técnico em Dança – “Cartografias do Corpo”, que apresentou trabalhos desenvolvidos pelos estudantes, atravessando pesquisa, sensibilidade e expressividade.
Confira a programação do último dia de atividades:
9h20 às 12h – Palestra Vozes negras e suas lutas através da canção (Tonho Matéria e Aiace – na Escola de Dança da Funceb
14h às 15h30 – Oficina Percussão afro-brasileira (Zé Ricardo) – na Escola de Dança da Funceb
15h45 – Show da Banda Doum - no Largo Pedro Archanjo
18h30 – Mostra Pedagógica 2025.2 Cartografias do Corpo – no Espaço Xisto Bahia