O evento reuniu 600 estudantes de diferentes ciclos formativos
A Concha Acústica do Teatro Castro Alves viveu uma noite inesquecível no último sábado, 6 de dezembro, quando a Escola de Dança da Funceb apresentou a Mostra Artístico-Pedagógica “Ibì Ayê – Chão que move, terra que dança”.
O evento, que reuniu mais 600 estudantes de diferentes ciclos formativos, uniu cinco mil pessoas na plateia e transformou o palco em um território vibrante de memória, pertencimento e celebração coletiva.
Sob direção geral de Nildinha Fonsêca e direção artística e roteiro de Elivan Nascimento, a mostra trouxe ao público uma experiência sensível e politicamente pulsante. Inspirada na junção entre “Ibì”, do tupi-guarani, e “Ayê”, do iorubá, a proposta traduziu em cena a relação profunda entre corpo, chão e ancestralidade, reafirmando o compromisso da Escola de Dança da Funceb com a formação em arte como campo de vida, identidade e criação.
A mostra costurou seus quatro eixos temáticos de maneira fluida: sonhos ancestrais, voz e identidade, relação com o território e a festa como força de afirmação, que se encontraram em um único percurso cênico, conduzido por estudantes de todas as faixas etárias.
Ao longo da noite, gestos de plantar, colher, afirmar e celebrar se intercalavam com pisadas marcadas, rodas, pulsos coletivos e cenas de grande delicadeza. A dança se fez discurso, memória e também cura. A terra física, simbólica e espiritual foi elemento central: ora chão que sustenta, ora espaço sagrado de reencontro, ora território político de existência.
O encerramento levou a Concha ao delírio: cores, tambores e alegria invadiram o palco em um grande rito final, onde dança e festa se tornaram um só movimento. A plateia respondeu com aplausos longos, muitos de pé.
Formação, política e afeto no centro da cena
Mais do que um espetáculo, Ibì Ayê reafirmou o caráter formativo da Escola de Dança da Funceb, que promove uma educação em arte baseada em escuta, respeito às trajetórias e estímulo à criação coletiva.
“Esta mostra é fruto de processos que valorizam a vida. A dança é o que nos liga às nossas raízes e nos projeta para o futuro”, destacou a diretora geral Nildinha Fonsêca ao final da apresentação.
Já o diretor artístico Elivan Nascimento ressaltou a potência do encontro entre gerações: “Cada estudante trouxe sua história, e juntas elas construíram um chão comum.”
Para quem assistiu, ficou a sensação de que Ibì Ayê não foi apenas uma mostra pedagógica, mas um ritual coletivo de presença, beleza e afirmação da arte como força que move a Bahia.