Evento reuniu estudantes para vivência e debate sobre danças afro-brasileiras e a Técnica Silvestre
A Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), realizou na manhã desta sexta-feira (17), em Salvador, o 2º Encontro Artístico-Pedagógico do Núcleo de Estudos em Danças Afro-Brasileiras – AGÔ 2026. A atividade aconteceu na Sala Cênica da instituição, no Pelourinho, reunindo estudantes em uma imersão que articulou prática, reflexão e escuta sensível sobre o corpo e suas dimensões políticas e simbólicas.
Convidada especial desta edição, a mestra em dança Vera Passos conduziu a programação a partir da Técnica Silvestre, abordagem que desenvolve há décadas e que propõe uma relação integrada entre corpo, ancestralidade e território. Com uma trajetória que atravessa diferentes linguagens, da dança moderna e contemporânea ao balé clássico, jazz e danças tradicionais brasileiras, a artista compartilhou experiências e provocou reflexões sobre o fazer artístico comprometido com a história e com o coletivo.
Durante o encontro, Vera destacou a importância do posicionamento político no campo da dança e da valorização das trajetórias que pavimentaram os caminhos atuais. “É importante se colocar politicamente, respeitando quem chegou antes de você. Desejo ver daqui a 10 anos pessoas profissionais trabalhando bem e saber que saíram daqui”, afirmou.
Em outro momento, a artista enfatizou o corpo como espaço de expressão e memória: “O corpo é político e expressa o que está ao redor. Ele fala das lutas coletivas e individuais. O corpo é um acolhedor de memórias. A gente precisa se emocionar com a dança”.
O Núcleo AGÔ integra as ações formativas da Escola de Dança da Funceb e se constitui como espaço de experimentação voltado ao estudo das danças afro-brasileiras. A iniciativa reafirma o compromisso da instituição com a valorização de saberes ancestrais e com a formação crítica de artistas da dança na Bahia.