Em celebração ao Novembro Negro, a Hemoba e o Centro de Referência às Pessoas com Doença Falciforme Rilza Valentim (CERPDF/Hemoba) promoveram a roda de conversa "Dia Nacional da Consciência Negra e Doença Falciforme: o que tem a ver?". O evento buscou refletir sobre a luta contra o racismo, a desigualdade racial e a doença falciforme, mais prevalecente (mas não exclusiva) em pardos e negros. Direcionada principalmente aos colaboradores, a atividade foi realizada nos auditórios do Centro de Referência e do Hemocentro Coordenador, em Salvador, nos dias 18 e 19 de novembro, com a palestra de Altair Lira, antropólogo, sanitarista e assessor de Relações Institucionais do CERPDF.
Altair Lira fez uma abordagem histórica da escravidão e da situação do negro no Brasil, descreveu a origem genética da doença falciforme no continente africano e as dificuldades para o seu tratamento no decorrer do tempo, ocasionada pelo racismo inerente à sociedade brasileira. Destacou que apenas em 2005, noventa e cinco anos após a primeira descrição da doença falciforme feita pelo médico norte-americano James Herrick, em 1910, foi instituída no país a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias.
Segundo dados do Ministério da Saúde, a Bahia tem a maior incidência da enfermidade no Brasil, com cerca de 10.000 pacientes, enquanto no país estima-se em torno de 60 mil pessoas atingidas. De cada 650 nascidos vivos no estado, um possui a doença, enquanto a média nacional é de um bebê a cada 1.000 nascimentos. Anualmente, o CERPDF/Hemoba atende cerca de cinco mil pacientes da capital e do interior do estado, oferecendo serviços de assistência transfusional e farmacêutica, incluindo a dispensação de medicamentos de alto custo.