Melissa Creary, professora associada da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, realizou nesta sexta-feira (21), no Centro Estadual de Referência às Pessoas com Doença Falciforme Rilza Valentim (CERPDFRV/Hemoba), a palestra Ciência, Justiça e Raça: um caso de doença falciforme e inovação, que foi traduzida por Laísa Domingos, coordenadora do Grupo de Pesquisa Saúde da População Negra e Doenças Crônicas do IMRS/UFBA.
Melissa apresentou os resultados de sua pesquisa realizada no Brasil no período de 2011 a 2014, quando em Salvador visitou instituições e laboratórios que trabalham com doença falciforme, analisando o atendimento oferecido pelo estado e como as associações de pacientes se mobilizam em relação a esta questão. A pesquisadora afirmou que as políticas públicas devem possibilitar a equidade do acesso ao atendimento de saúde, promovendo a inclusão, pertencimento e cidadania da população negra, principalmente, aquela atingida pela doença falciforme.
Em sua avaliação, no Brasil, a cor da pele influencia muito para o pertencimento das pessoas com essa enfermidade. Também destacou o contexto histórico de atendimento desses pacientes no país até a criação do Sistema único de Saúde (SUS), em 1988, e a implantação da Política Nacional de Saúde da População Negra, em 2006. No final, ao destacar a inovação do tratamento da terapia genética para pessoas com doença falciforme, salientou que a ciência pode trabalhar para promover a equidade no atendimento.