Babaçu, dendê e mamona são base ao biodiesel baiano

06/11/2003

Babaçu, dendê e mamona são base ao biodiesel baiano

Governo federal quer ajudar a tirar o produto da fase experimental e expandir a produção para comércio em escala.

 

O uso de biodiesel como combustível automotivo deve se tornar realidade na Bahia, a partir de pesquisa realizada pela Rede Baiana de Biodiesel, integrada por institutos de pesquisa e governo, sob coordenação da secretaria de ciência e tecnologia (Secti). Alternativo, de baixo teor poluente e renovável, é utilizado em motores do ciclo diesel e extraído da mamona, babaçu e dendê, o que já acontece em escala laboratorial.

Em Brasília ontem, o secretário de ciência e tecnologia, Rafael Lucchesi entregou ao ministro da pasta, Roberto Amaral, a versão final do projeto baiano e defendeu, no seminário Biodiesel e Inclusão Social, mais apoio e recursos para manter a Bahia na linha de frente das pesquisas, com a ampliação de unidade piloto para extração do combustível e implantação de planta de craqueamento para extrair biodiesel a partir do dendê.

Pioneirismo

"É uma iniciativa séria, pioneira e que merece apoio por criar alternativas a nossa matriz energética, além de oferecer grande impacto econômico e social a regiões carentes do estado", comentou. Para o secretário, o estado é um dos mais capacitados a desenvolver a produção de biodiesel, devido a grande oferta de mamona no semi-árido e da disponibilidade de dendê em todo o litoral.

A rede é formada pelas universidades Federal da Bahia (Ufba) e Estadual de Santa Cruz (Uesc), mais a secretaria de agricultura (Seagri), Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (Ebda) secretaria de combate à pobreza (Secomp).

Para a coordenadora da rede, doutora em Química Inorgânica pela Universidade de São Paulo (USP), Rosenilda Serpa, até 2005 a pesquisa, em fase adiantada, permitirá a produção em escala industrial do combustível alternativo. "Iniciamos estudos em 1998, e desde 2000 uma planta piloto opera aqui no campus da Uesc em Ilhéus, a partir de experimentos com óleo e gordura residuais (OGR), provenientes de resíduos de fritura. Veículos de serviço da universidade são movidos com o combustível produzido desde então, sem problemas", revela.

Emissão menor

O coordenador do Programa Baiano de Biodiesel, Roberto Fortuna Carneiro, atesta que a extração de biodiesel atinge bons resultados. "A produção em laboratório está avançada e vem produzindo combustível de eficiência comprovada". Geógrafo com mestrado em Administração, Carneiro explica que, comparado ao diesel tradicional, extraído do petróleo, os gases de combustão do biodiesel puro apresentam redução média de 35% na emissão de hidrocarbonetos não queimados, precursores do efeito smog.

"A emissão de sistemas particulados, causadores de problemas respiratórios, tem sido avaliada em torno de 55%, e os gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global, tem redução mínima de 78%", informa. Os índices caem também quando se trata de medir os compostos sulfurados, causadores de patologias como câncer e responsáveis por fenômenos degradante do meio ambiente, como a chuva ácida.

Potencial

Benefícios ecológicos à parte, a cultura da matéria prima necessária à produção do biodiesel representa forte alternativa à geração de renda e ocupação para a população do semi-árido. "As extensas áreas de plantio, necessárias à formação da biomassa, em plantações de mamona, babaçu e dendê, garantirão a contrapartida social representada pela nova cultura", avalia o secretário Rafael Luchesi.

O projeto realizado pela Rede Baiana de Biodiesel está em sintonia com a tendência internacional de abrir espaços aos combustíveis alternativos, menos poluentes e renováveis. "Na Europa é comum o uso de mistura do Biodiesel com o diesel tradicional em veículos de linha. Na Alemanha, o governo estuda a isenção de impostos, deste combustível como estimulo ao uso em larga escala", exemplifica o secretário.

Ele avalia que, a exemplo do ocorrido com o álcool combustível, que durante períodos alternados têm revitalizado a lavoura da cana de açúcar, especialmente no Nordeste e Sudeste do País, o Brasil é um dos poucos com potencial de geração de biomassa e capacidade de impulsionar a produção biodiesel em escala industrial.

Integrantes do comunidade européia vêm buscando parcerias com institutos de pesquisa que trabalhem com o combustível, para viabilizar a produção em escala industrial. Um exemplo é a Universidade de Kassel, da Alemanha, que trabalha em conjunto com pesquisadores da Rede Baiana de Biodiesel, oferecendo suporte técnico e científico à produção laboratorial do biodiesel.

Nos próximos dias 10 e 11 de novembro, acontece em Salvador o I Encontro Baiano de Biotecnologia & Desenvolvimento, abordando o tema Parcerias entre Instituições de Pesquisa e Iniciativa Privada, na Fundação Luiz Eduardo Magalhães (Flem). O evento é dirigido a pesquisadores, empresários interessados em negócios de base biotecnológica, e profissionais das áreas de biotecnologia e capital de risco. A proposta é promover a troca de experiências entre instituições de pesquisa e empresas da área de biotecnologia.

 

 

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