Custo dos alimentos básicos fica quase 9% mais baixo em Salvador
A queda de 8,63% no preço dos alimentos que compõem a cesta básica em Salvador foi a maior entre as capitais brasileiras no mês de dezembro.
A cidade terminou o ano de 2009 com a quinta cesta mais barata do País, custando R$ 183,15. Produtos que chegaram a aparecer como “vilões” há alguns meses, como o leite e o açúcar, pesaram menos no bolso dos consumidores, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Entretanto, a queixa de alguns é de que produtos que ajudaram a baixar os preços no mês passado já estariam aumentando agora em janeiro.
É normal que os preços dos alimentos variem no decorrer do ano. Em 2009, essa variação aconteceu diversas vezes para cima na capital baiana.
“Salvador, que sempre esteve entre as capitais mais baratas na pesquisa, teve grandes aumentos no decorrer deste ano”, lembra a supervisoratécnica do Dieese na Bahia, Ana Georgina Dias. “O que está acontecendo neste momento do ano é uma acomodação”, explica. Um bom exemplo disso é o preço do tomate, que caiu 41,11% em dezembro, entretanto tinha subido 60% antes.
O tomate varia porque o produto não tem uma safra definida e por ter um ciclo de vida menor que o de outras culturas agrícolas. “Os alimentos são sempre uma incógnita por conta do clima”, explica Ana Georgina. Além, disso, a especialista lembra do peso que o mercado internacional tem.
Outros produtos que contribuíram com a queda no custo da cesta básica foram o leite (-9,36%), o arroz (-8,6%), a manteiga (-7,59%) e o açúcar (-12,21%). De acordo com o presidente da Associação Baiana dos Supermercados (Abase), Teobaldo da Costa, os preços dos alimentos devem se manter baixos nos próximos dias, porém já há um pressão por aumentos. “No início do ano, a indústria começa a pressionar para reajustar a tabela e chega a hora em que ela consegue”, diz, lembrando que a queda de braço com grandes marcas às vezes é desigual para o varejo.
“Precisamos colocar os produtos nas gôndolas”, diz.
Poder de compra Pelo cálculo do Dieese, as despesas com alimentação passaram a pesar menos no orçamento do trabalhador. O tempo gasto para a aquisição dos alimentos básicos caiu de 95 horas e 50 minutos para 86 horas e 39 minutos. Ou seja, o soteropolitano poupou mais de oito horas de trabalho.
“Baixaram os preços mesmo”, concorda a funcionária pública Anamara Sena, que procura pesquisar bastante antes de fazer as compras no comércio da Boca do Rio. Entretanto, para economizar mesmo, a experiência dela é que o consumidor procure comprar os produtos certos, nos melhores dias e lugares.
“Tem dia em que este supermercado é o que está mais barato para comprar frutas e verduras, e eu venho para cá.
Quando é o outro, eu vou para lá”, explica. Outra dica dela é que o consumidor procure marcas de confiança. “Não adianta optar pelo produto barato e, na hora de fazer, não render”, recomenda.
Valor ideal Para Ana Georgina, é importante que o trabalhador aumente o seu poder de compra, entretanto ainda há uma grande distância entre o valor do salário mínimo atual e o que é suficiente para atender às necessidades básicas do trabalhador. “Ainda há uma grande distância em relação àquilo que deveria ter sido”.
Este valor, de acordo com o Dieese, deveria ser de R$ 1.995,91, valor quase quatro vezes maior que o salário mínimo vigente (R$ 510). “O País vive uma dinâmica de crescimento, apesar da crise financeira, mas ainda vai se requerer um tempo para reduzir as distâncias entre o real e o ideal”, diz Ana Georgina.