Potencial leiteiro atrai investidores estrangeiros à Bahia

25/01/2010

Potencial leiteiro atrai investidores estrangeiros à Bahia

 


Com o terceiro maior rebanho leiteiro do País, a Bahia amarga prejuízos com a baixa produtividade dos seus animais.

Enquanto a média nacional é de 1.360 litros de leite por vaca ao ano, na Bahia a produção é de 530 litros, menos da metade. Iniciativas isoladas, porém, têm mostrado o potencial de crescimento da pecuária leiteira do Estado e a vocação para se tornar referência nacional.

Investimento de um grupo neozelandês, a Fazenda Leite Verde, no município de Jaborandi, no oeste baiano, tem atraído a atenção de produtores no Brasil e do exterior.

“Outros grupos de neozelandeses já estiveram conhecendo a fazenda e avaliando as condições de cultivo nesta região”, comenta o diretor da Leite Verde, Craig Bell.

Ele atribui ao clima local o segredo do sucesso da fazenda.

“No verão, o clima não é tão quente e, no inverno, não é tão frio, o que garante boa produção durante todo o ano”, explicou. Com as técnicas adotadas, a fazenda tem capacidade de produzir 20 mil litros de leite por dia e potencial para produção de até 150 mil litros.

“Podemos produzir na Bahia três vezes mais leite por hectare do que produzimos na Nova Zelândia”, afirma Craig Bell. Ele revela que, com estas condições, a região tem de tudo para se transformar em um novo polo de produção leiteira no País.

O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Derivados de Leite da Bahia (Sindileite), Paulo Cintra, comenta que algumas regiões do Estado possuem microclimas perfeitos para a pecuária leiteira. Exemplos são as regiões de Ipirá e Itapetinga.

Gargalos O secretário da Agricultura em exercício da Bahia, Eduardo Salles, destacou entre os gargalos da pecuária leiteira na Bahia a pulverização do rebanho, a baixa qualidade genética das vacas e a dificuldade de pequenos produtores de enfrentar períodos de entressafra. “A Câmara Setorial do Leite está lançando o programa Leite em Dobro para atacar os gargalos”, comentou Salles. Entre as ações deste programa, está a construção de um laboratório de análise da qualidade do leite, com recursos do PAC Embrapa.

Paulo Cintra comenta que o projeto conta com crédito do Banco do Nordeste e que já registra os primeiros resultados no extremo sul, sudeste e na região de Jequié. “Nossa meta é expandir o programa a todas as regiões”, disse.

Ele destaca, porém, o entrave da falta de profissionalização da pecuária leiteira na Bahia. “Muitas vezes, o leite é uma atividade secundária nas fazendas”, revela. A indústria de lácteos na Bahia segue com o mesmo problema.

“A Bahia precisa começar a investir em indústria tecnificada”, disse.

O veterinário Guilherme Augusto Vieira, mestre em pecuária leiteira, aponta a agroindústria como o principal agente para a transformação da cadeia produtiva no agronegócio leiteiro. “A agroindústria é o termômetro entre o produtor e o consumidor, ela tem o poder de regular o setor”, disse.

Vieira explica que a maioria dos produtores baianos são pequenos pecuaristas e que não há capacidade de investimento para o aumento da produtividade. “A indústria tem condições de financiar os insumos em quantidade e descontar no pagamento do leite.

“Experiência como esta, realizada em Goiás sem grandes investimentos, fez a produção sair de dois mil litros de leite ao dia para 10 mil litros por dia em um ano”, comentou. Para o professor, falta à Bahia identificar quais indústrias com capacidade de agir. “Esta é uma estratégia que não depende de grandes esforços governamentais, o crédito para que estas empresas organizem o funcionamento da cadeia produtiva”, disse.

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