Temendo aftosa, SC suspende compra de grãos do Paraguai
Depois de decretar estado de alerta sanitário preventivo na terça-feira em função do foco de febre aftosa detectado no Paraguai, o governo de Santa Catarina promulgou ontem portaria que suspende por 15 dias a entrada de produtos e subprodutos de origem animal e vegetal vindos do Paraguai. Segundo o secretário da Agricultura e Pesca catarinense, João Rodrigues, a medida poderá ser prorrogada se necessário.
O foco da doença foi detectado numa fazenda na região de Sargento Loma, no Departamento de San Pedro, no centro do Paraguai. O país faz fronteira com os Estados brasileiros de Mato Grosso do Sul e Paraná.
O governo de Santa Catarina havia decretado situação de emergência sanitária, mas retrocedeu depois de ser alertado pelo Ministério de Agricultura. O estado de emergência se aplicaria em caso de registro de foco no Estado. Segundo Rodrigues, a notícia poderia levar à ideia de que havia aftosa no país.
O anúncio equivocado causou apreensão no mercado, inclusive na Embaixada do Japão, país que negocia o início da importação de carne suína de Santa Catarina. Após o aviso do ministério, a Secretaria da Agricultura corrigiu o ato e determinou o alerta sanitário preventivo, com reforço nas cidades que fazem divisa com o Paraná e Dionísio Cerqueira, na fronteira com a Argentina.
O foco da enfermidade no Paraguai - que levará 820 de cabeças de gado bovino ao sacrifício hoje - preocupa Santa Catarina, que é o único Estado brasileiro com status de livre de aftosa sem vacinação.
João Rodrigues informou que o Exército trabalha para auxiliar a fiscalização da entrada de mercadorias e está realizando pulverização para desinfecção de carros e veículos de turismo que atravessem a divisa.
A portaria catarinense não atinge produtos de origem animal e vegetal submetidos a processamento industrial suficiente para a inativação do vírus da aftosa, desde que acompanhados da documentação sanitária pertinente. A medida exclui também produtos de origem vegetal oriundos do Paraguai que se destinam aos portos de Santa Catarina com finalidade exclusiva de exportação. Os veículos com essas cargas só poderão ingressar em Santa Catarina por meio do posto fixo de fiscalização do município de Garuva, no Norte do Estado, onde serão desinfetados e lacrados pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).
Segundo Rodrigues, o maior impacto da suspensão da entrada de produtos vegetais do Paraguai será na indústria de aves e suínos, que importa grãos do país vizinho. Cerca de 1 milhão de toneladas de milho e soja foram compradas no Paraguai por empresas de Santa Catarina.
O governo brasileiro já havia suspendido temporariamente a importação de animais vivos e produtos in natura do Paraguai na segunda.
Já o governo da Argentina, que também faz fronteira com o Paraguai, decretou ontem estado de alerta sanitário em função do foco de aftosa no departamento paraguaio de San Pedro. Pelo decreto, publicado no Diário Oficial da Argentina, está suspenso todo o trânsito de mercadorias que possa servir de veículo para o vírus. Em termos práticos, a resolução limita as importações diretas e indiretas entre a Argentina e o Paraguai.
O controle será feito na fronteira terrestre entre os dois países, com a fiscalização das cargas que entram na Argentina. Os veículos terão que passar por higienização. Haverá fiscalização em abatedouros, câmaras frigoríficas e depósitos de lixo nas províncias argentinas que fazem fronteira com o Paraguai. Duas delas - Corrientes e Misiones - também fazem fronteira com o Brasil.
O governo argentino também decidiu antecipar o segundo período de vacinação contra a aftosa, que começará imediatamente. Em 2003, a Argentina perdeu o status de zona livre de aftosa com vacinação, em razão de um surto da doença em Salta, na fronteira com a Bolívia. O status foi recuperado em 2005. Em 2006, surgiu outro foco de aftosa, exatamente a 25 quilômetros da fronteira com o Paraguai. Controlado o problema, o país voltou ao mercado exportador no mesmo ano.
Fonte:
Júlia Pitthan e César Felicio
De Florianópolis e Buenos Aires