14/10/2011
Commodities Agrícolas
Volta do consumo?
Sinais de que está havendo retorno da demanda física por açúcar no mercado global fizeram os futuros da commodity subirem ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em maio encerraram o pregão a 26,02 centavos de dólar por libra-peso, valorização de 82 pontos. Em entrevista à Dow Jones Newswires, Michael McDougall, da Newedge, disse que Egito, Paquistão e outros países vão precisar importar açúcar antes do fim deste ano e não há vendedores. De acordo com ele, a demanda está retornando agora sobretudo porque há neste momento chuvas "devastadoras" abatendo a Ásia, o que pode comprometer a oferta de açúcar no curto-prazo. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal fechou em queda de 0,58% a R$ 61,68 a saca de 50 quilos.
Demanda maior
Os preços futuros do café registraram na quinta-feira a maior alta desde de agosto na bolsa de Nova York. Os contratos para março fecharam cotados a US$ 2,4085 por libra-peso, alta de 810 pontos. Segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg, o mercado refletiu os sinais de aumento na demanda pela grão. No Brasil, as exportações de café verde subiram 11% nos 12 meses encerrados em setembro, e a indústria prevê alta 4,7% no consumo doméstico. "Mesmo que o Brasil colha uma safra enorme, como muitos esperam, seria suficiente apenas para cumprir os contratos de exportação, atender a demanda interna e repor uma parte dos estoques", afirma Marcio Bernardo, analista da Newedge. No front interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica fechou o dia valendo R$ 495,21, alta de 3,10%.
Tempestade tropical
O desenvolvimento de uma tempestade no Oceano Atlântico, que pode afetar o Estado da Flórida (EUA), segundo maior produtor mundial de suco de laranja, elevou os preços da commodity na quinta-feira. De acordo com o Centro Nacional de Furacões dos EUA, o sistema meteorológico das Bahamas tem 30% de chances de desenvolver uma tempestade tropical nos próximos dois dias. "Um pouco do rally está ligado à tempestade", disse à agência Bloomberg Jimmy Tintle, analista da Transworld Futures. Os contratos futuros com entrega para janeiro encerraram o pregão cotados a US$ 1,6325 por libra-peso na bolsa da Nova York, alta de 430 pontos. No mercado de São Paulo, o valor médio da caixa da laranja pera in natura permaneceu em R$ 9,96, segundo o Cepea/Esalq.
Efeito China
Compras de algodão pela China anularam o efeito baixista do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) - divulgado na quarta-feira e que previu aumento da produção mundial da fibra - e fizeram com que os futuros da commodity registrassem forte alta na quinta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos para março fecharam o dia a 98,87 centavos de dólar por libra-peso, valorização de 89 pontos. Analistas ouvidos pela agência Dow Jones Newswires explicaram que a alta do algodão foi motivo de surpresa e que o motivo da inversão da tendência está nas aquisições semanais da pluma pelos chineses, que estão aproveitando as cotações mais baixas para recompor reservas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o algodão recuou 0,34% a R$ 1,7554 a libra-peso.