Commodities Agrícolas
Crise na UE A baixa confiança dos investidores em torno de uma solução para crise da dívida na Europa pressionou as cotações do café ontem nas bolsas internacionais. Em Londres, os futuros do robusta com vencimento em março encerraram o pregão a US$ 1.923 a tonelada, queda de US$ 39. Em Nova York, o mesmo vencimento também fechou em baixa a US$ 2,2105 a libra-peso, recuo de 670 pontos. Especialistas ouvidos pela agência Dow Jones Newswires afirmam que o mercado de Londres andou em linha com o de Nova York, ambos motivados pela pouca confiança de que as medidas adotadas semana passada pelos líderes europeus vão solucionar a crise no bloco. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica fechou em queda de 0,18% a R$ 489,18 a saca.
Gana, foco de disputa Uma disputa entre autoridades e trabalhadores do porto de Gana, um dos maiores produtores mundiais de cacau, paralisou os embarques da amêndoa e impulsionou as cotações da commodity ontem na bolsa de Nova York, segundo a Dow Jones Newswires. Os contratos para março encerraram o dia a US$ 2.181 por tonelada, alta de US$ 114. Para especialistas ouvidos pela Bloomberg, também afetou as cotações a informação divulgada pela trading Olam, de Cingapura, de que a demanda de cacau vai superar em 100 mil toneladas a produção. "Se o mercado tiver 100 mil toneladas de déficit será uma surpresa", disse à Bloomberg Jack Scoville, da Price Futures Group, de Chicago. No mercado de Ilhéus e Itabuna (BA), a arroba recuou ontem de R$ 63,33 para R$ 63, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.
Efeito USDA As expectativas de oferta confortável de suco de laranja pressionaram para baixo as cotações da commodity ontem em Nova York. Os contratos com vencimento em março fecharam a US$ 1,6240 a libra-peso, em queda de 325 pontos. Segundo a Dow Jones Newswires, o mercado ainda está digerindo os números divulgados na semana passada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que indicaram um aumento das expectativas do órgão para a safra de laranja dos Estados Unidos. "O aumento não era de todo inesperado. Nós ainda estamos confortáveis com a estimativa de produção do USDA", disse Michael Sparks, CEO do grupo de produtores Florida Citrus Mutual. No mercado paulista, a laranja pera para a indústria permaneceu estável em R$ 9,19 a caixa, segundo o Cepea/Esalq.
Dólar forte Os futuros de algodão fecharam em queda na bolsa de Nova York, abaixo da "barreira" dos 90 centavos. Os contratos para maio encerraram o pregão a 87,06 centavos de dólar por libra-peso, em desvalorização de 299 pontos. Especialistas disseram à Bloomberg que a retração se deveu, novamente, às falhas dos líderes europeus em conter a crise financeira no bloco. Com isso, a agência de classificação de risco Moody's informou que vai revisar os ratings para os países europeus. A situação provocou nova valorização da moeda americana, o que configurou mais um fator baixista para as commodities dos Estados Unidos, que perdem atratividade com o fortalecimento do dólar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma fechou em queda de 1,26% a R$ 1,6679 a libra-peso.